Boeing 737 MAX da FlyDubai sobrevive a mergulho de mais de 5 mil metros em segundos e a quase Mach 1
Na manhã de 30 de setembro, o voo 1073 da companhia FlyDubai decolou de Dubai com mais de 170 pessoas a bordo, iniciando sua rota em direção a Israel.
Quando a aeronave atingiu aproximadamente 10.400 metros de altitude, o copiloto, identificado como agente com visões extremistas, avançou contra o comandante Smit Machchhar usando um machado, provocando uma situação de emergência a bordo.
Apesar de ferido, o comandante – que acumula 17 anos de experiência de voo e 11 como capitão – conseguiu destravar a porta da cabine de comando, que só abre por dentro, e solicitar socorro ao primeiro‑ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Passagens imediatamente se dirigiram à frente da aeronave, imobilizaram o agressor e o retiraram do comandante.
Em ligação ao primeiro‑ministro da Índia, Narendra Modi, o comandante relatou: “Sou piloto há 17 anos, comandante há 11, sei o que está acontecendo num voo até de olhos fechados. Quando estava no chão, percebi que a aeronave estava caindo. E disse a mim mesmo: ‘Este é o último esforço, Smit. A porta está bem ali’”. Dois pilotos de folga que estavam a bordo então assumiram os controles e, em poucos minutos, estabilizaram o Boeing 737 MAX.
No processo de estabilização, parte do leme – superfície da cauda responsável pelos movimentos laterais – se soltou. A dupla conduziu a aeronave, já danificada, por mais de uma hora, com a altitude oscilando cerca de 150 metros, até aterrissar com segurança no aeroporto de Tabuk, na Arábia Saudita.
Dados do Flightradar24 indicam que o avião chegou a descer a mais de 9.700 metros por minuto e atingiu Mach 0,96, velocidade bem superior ao limite operacional do modelo, que é Mach 0,82. A recuperação registrou 3 Gs, ultrapassando o teto de 2,5 Gs previsto para o 737 MAX. A pressão gerou fortes vibrações na fuselagem e ondas de choque ao longo das asas.
Bob Stoney, ex‑piloto da Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) que liderou testes de voo de diversos modelos Boeing, explicou à Bloomberg que a certificação de aeronaves inclui testes extremos em solo, forçando as asas até a ruptura, para garantir que limites inesperados possam ser superados sem comprometer a segurança.
O ataque do copiloto foi motivado por ideologias extremistas, e ele foi posteriormente remanejado para uma companhia em Omã. Stoney acrescentou que a certificação prevê testes com o leme travado, mas não com a peça ausente; aerodinamicamente, ambas as situações são semelhantes, exigindo que os pilotos operem como se o componente estivesse totalmente perdido, sobretudo durante pousos com vento cruzado ou desalinhado.
Do ponto de vista aerodinâmico, a ausência do leme pesa principalmente na fase de pouso. Tony Farina, aerodinamicista da Embry‑Riddle Aeronautical University, que já trabalhou em projetos com a NASA e a Força Aérea dos EUA, afirmou que a aeronave permanecerá estacionada em Tabuk para inspeções detalhadas e que “não sei se ele poderá voltar a ser usado; no mínimo, vai precisar de uma inspeção completa e minuciosa”.
Em vídeo divulgado pelo gabinete de Benjamin Netanyahu, o primeiro‑ministro afirma ter sido o primeiro a chegar aos controles, retirado o agressor do comandante e puxado o manche, contribuindo para a contenção da situação.
O Boeing 737 MAX permanece em Tabuk aguardando avaliação de possíveis danos estruturais irreparáveis. O incidente representa uma vitória simbólica para a fabricante, que vem superando crises decorrentes de dois acidentes fatais na década passada e de intensos questionamentos sobre a qualidade e a segurança de seus aviões.
Com informacoes de O GLOBO.

