Benjamin Steinbruch deixa presidência da CSN e Fabio Schvartsman, ex-Vale, assume como CEO

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 03/09/2026 06:20
Benjamin Steinbruch deixa presidência da CSN e Fabio Schvartsman, ex-Vale, assume como CEO

Foto: via Valor Econômico

Benjamin Steinbruch, de 73 anos, anunciou que deixará a presidência da CSN para assumir a presidência do conselho de administração, encerrando quase um quarto de século na liderança do grupo.

O sucessor escolhido foi Fabio Schvartsman, executivo que chegou ao cargo após uma carreira de 22 anos no Grupo Ultra, passagem de seis anos como diretor‑geral da Klabin e recente mandato no conselho da Vibra, antiga BR Distribuidora.

Schvartsman ficou marcado pela tragédia de Brumadinho, em janeiro de 2019, quando a barragem da Vale se rompeu, provocando mais de 270 mortes e graves impactos ambientais; ele figura como réu em processo criminal relacionado ao desastre.

Formado em engenharia de produção pela Escola Politécnica da USP, Schvartsman traz ao cargo experiência em energia, infraestrutura, logística e mobilidade, além de vivência internacional, atributos apontados por Steinbruch como essenciais para a nova fase da empresa.

Steinbruch afirmou que a sucessão já era planejada há pelo menos três anos e que, após conversa com Schvartsman há cerca de cinco meses, considerou o executivo a pessoa indicada para conduzir a CSN.

No mercado, havia expectativa de que a filha de Steinbruch, Victoria, assumisse a direção; ela já havia sido apresentada como diretora adjunta da CSN, assessora o pai e retornou ao conselho da CSN Mineração em abril. Outro filho, Felipe, lidera a CSN Inova, braço de venture capital do grupo.

A mudança de comando ocorre enquanto a CSN avança em um processo de desinvestimento destinado a reduzir sua alavancagem. A empresa deve receber, ainda nesta semana, ofertas vinculantes para a venda de entre 20% e 30% de seu segmento de infraestrutura, com Steinbruch prevendo “surpresa em número e qualidade” das propostas.

Em agosto, a CSN recebeu propostas para a venda da CSN Cimentos, negócio avaliado em R$ 12 bilhões, que segue o cronograma interno da companhia. As ações da CSN subiram nesta semana, fechando ontem a R$ 5,98, alta de 4,18%, embora apresentem queda de 31,26% no acumulado do ano.

Steinbruch acredita que a saída do presidente e a chegada de um executivo externo surpreenderão o mercado de forma positiva, reduzindo preocupações sobre a sucessão e trazendo uma visão mais pragmática para a empresa.

Ele comparou o vínculo afetivo com os ativos a laços familiares, descrevendo a CSN Cimentos como “um filho mais novo”, e expressou confiança de que Schvartsman acelerará e aprimorará as negociações de venda.

Historicamente, Steinbruch tem sido relutante em descontinuar negócios e costuma cancelar vendas de última hora; ainda assim, os desinvestimentos são vistos como essenciais para melhorar a liquidez.

No segundo trimestre, a CSN encerrou com dívida líquida de R$ 42,1 bilhões, alta de 18% em relação ao ano anterior, e a relação dívida líquida/EBITDA subiu para 3,49 vezes, frente a 3,24 vezes no mesmo período de 2025. Analistas destacam indicadores operacionais positivos, mas alertam para o nível de endividamento ainda elevado.

Com informacoes de Valor Econômico.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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