Até IPCA+11%: papéis de inflação mais recomendados para investir agora
Após forte abertura entre março e abril, os prêmios pagos pelos títulos de empresas sobre os papéis do Tesouro estabilizaram em maio e recuaram ao longo de junho e julho, equilibrando a relação risco‑retorno e reabrindo o interesse pelo crédito privado indexado à inflação, ainda que com seletividade.
Segundo o BB Investimentos, a correção observada no primeiro semestre deveu‑se mais a fatores técnicos e de fluxo – como resgates em fundos e maior sensibilidade dos investidores à marcação a mercado – do que a uma deterioração generalizada dos fundamentos corporativos. Os analistas Viviane Silva, Melina Constantino e Fernando Cunha Filho afirmam que continuam adotando postura cautelosa, privilegiando emissores de maior qualidade e estruturas robustas.
Felipe Passero, CEO da Jaguaretê Investimentos, ressalta que o prêmio pago hoje pelo crédito privado de melhor qualidade está bem apertado e abaixo da média histórica, o que exige diversificação e impede a concentração de posições.
A concentração setorial é o traço mais visível da seleção: sete dos 18 papéis de crédito privado são de empresas de energia elétrica e outros cinco de concessões de infraestrutura, entre rodovias, ferrovias, metrô e saneamento.
O BB Investimentos escolheu três papéis do setor elétrico: a debênture da Celpe, do grupo Neoenergia, com vencimento em agosto de 2040 e rating brAAA pela S&P; a debênture da Equatorial Goiás, com vencimento em agosto de 2037, rating brAAA pela S&P e AA+ pela Fitch; e a debênture da Engie, com vencimento em fevereiro de 2038 e rating AAA pela Fitch.
O BTG Pactual indicou outra emissão da Equatorial Goiás, com vencimento em janeiro de 2038, rating AAA e perfil conservador, além do papel de transmissão da Rialma, com vencimento em dezembro de 2048, também AAA e conservador.
A XP recomenda a debênture da Energisa, com vencimento em setembro de 2033, taxa IPCA+7,87% (equivalente a IPCA+9,68% para título tributado), e a da CPFL, com vencimento em fevereiro de 2035, taxa IPCA+7,60% (equivalente a IPCA+9,31%). A debênture da CPFL é restrita a investidores qualificados. A XP ainda aponta a debênture da Ecovias Raposo Castelo (Ecorodovias), com vencimento em março de 2029 e taxa IPCA+8,07% (equivalente a IPCA+10,2%), e a emissão da Águas do Rio 4, concessionária de saneamento vinculada à Aegea, com vencimento em setembro de 2034 e taxa IPCA+11,24%, a maior remuneração divulgada e a de maior risco na seleção, com rating brA e perspectiva negativa pela S&P. Ambos os títulos são destinados a investidores qualificados.
Bruno Perri, economista‑chefe e sócio‑fundador da Forum Investimentos, alerta para a atenção a prêmios muito altos, afirmando que o investidor pode ser atraído apenas pela taxa e acabar investindo em emissores com problemas subjacentes.
O BTG Pactual também selecionou a Autopista Litoral Sul, com vencimento em outubro de 2031, e o MetrôRio, para março de 2042, ambos com rating AAA e perfil moderado.
O BB Investimentos indicou a MRS Logística, operadora ferroviária da Malha Sudeste, com vencimento em setembro de 2039 e nota máxima em duas agências, brAAA pela S&P e AAA pela Fitch.
A ARX Gestor de Crédito aponta que a aplicação de renda fixa mais vulnerável é aquela que depende da inflação permanecer dentro da meta, elencando fatores que podem fazer os preços subir novamente e defendendo a manutenção de ativos indexados à inflação, destacando a fragilidade da carteira de renda fixa.
No segmento de papel e celulose, a XP destaca a CPR da Suzano, com vencimento em março de 2036, taxa IPCA+7,51% (equivalente a IPCA+9,10%), restrita a investidores qualificados. O BTG Pactual indicou duas debêntures da Eldorado, com vencimentos em setembro de 2035 e setembro de 2040, ambas com rating AA+ e perfil moderado. O BB Investimentos escolheu a debênture da Vibra, com vencimento em março de 2036, rating brAAA pela S&P e Aaa.br pela Moody’s.
O Itaú BBA completou a seleção com dois papéis: o da Rede D’Or, com vencimento em dezembro de 2033, rating AAA e perfil conservador; e o da JHSF, com vencimento em outubro de 2034, sem rating e perfil moderado.
A XP também recomenda dois títulos públicos atrelados à inflação, que preenchem a parcela sem risco de crédito corporativo. A recomendação da casa para a classe é de duration próxima de seis anos, com preferência por vencimentos intermediários, argumentando que os vértices mais longos oferecem remuneração menos atrativa para o risco adicional assumido. A alocação sugerida é de 12,5% no perfil conservador, 22,5% no moderado e 27,5%.
Com informacoes de InfoMoney.

