Até 19 governadores podem ser eleitos no primeiro turno em 2026, aponta análise de Felipe Nunes

Por Rui Barbosa Oliveira em Rio Verde, GO 26/09/2026 06:35
Até 19 governadores podem ser eleitos no primeiro turno em 2026, aponta análise de Felipe Nunes

Foto: globo.com/ap

Com menos candidatos na disputa e governadores polarizando as corridas, até 19 estados podem conhecer o novo governador já em 4 de outubro de 2026, no primeiro turno, segundo as pesquisas divulgadas até 25 de setembro.

De acordo com a análise de Felipe Nunes, 11 das 27 disputas para governador têm um favorito claro para vencer no primeiro turno. Outras quatro estão acirradas entre dois candidatos, mas com os demais tão distantes que também podem terminar em 4 de outubro: Alagoas, Bahia, Ceará e Pernambuco. Há ainda quatro estados – Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rondônia e Acre – em que o movimento nas últimas rodadas de pesquisa aponta nessa direção.

Se todas essas disputas se confirmarem, serão 19 eleições decididas já no primeiro turno, o maior número desde 2002. Nesse período, o recorde pertence a 2010, com 18 estados definidos na primeira rodada. A média entre 2002 e 2022 é de cerca de 15.

Mesmo no cenário mais conservador, em que poderiam ser liquidadas antes as 11 disputas com um favorito claro e as quatro acirradas, 2026 já ficaria acima dessa média e teria o maior número desde 2010.

A explicação para esse cenário está menos no humor do eleitor e mais na estratégia dos partidos. O número médio de candidaturas ao governo caiu de 8,3 em 2022 para 7,2 em 2026, segundo dados das pesquisas Quaest e Datafolha.

Com menos nomes na urna, os votos se concentram nos dois ou três principais concorrentes, e fica mais fácil alguém ultrapassar a metade dos votos válidos. Essa retração é efeito das regras eleitorais recentes: a cláusula de desempenho fica mais exigente a cada eleição, e o acesso ao fundo partidário e ao fundo eleitoral depende cada vez mais do tamanho da bancada na Câmara dos Deputados.

Para os partidos, eleger deputados federais passou a ser a prioridade que garante sobrevivência e dinheiro nos anos seguintes. Uma candidatura ao governo com poucas chances de vitória consome recursos que poderiam ir para a chapa proporcional, e um segundo turno custa ainda mais. O resultado é um cálculo mais pragmático: as siglas lançam menos candidatos próprios, fecham alianças mais cedo e concentram o dinheiro onde ele rende mais.

O precedente mais próximo é justamente 2010. Naquele ano, o número médio de candidaturas também caiu, de 7,5 em 2006 para 6,2, e o país teve 18 disputas encerradas no primeiro turno. O contexto, porém, era outro: a economia crescia acima de 7%, a aprovação dos governos estava em alta e a continuidade era a regra.

O contraste com 2018 é revelador. Em meio à crise econômica e ao descrédito da política, só 13 estados resolveram a eleição no primeiro turno.

Em 2026, o motor principal parece ser a oferta de candidatos, não um clima econômico excepcional.

O segundo fator que estrutura as disputas é a presença do governador eleito em 2022 na urna. Dos nove que concorrem, cinco são favoritos a vencer no primeiro turno – Piauí, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Mato Grosso do Sul – e três estão em disputas acirradas que também podem terminar na primeira rodada – Ceará, Bahia e Pernambuco. Nesses estados, a eleição tende a virar um plebiscito sobre o governo, com um candidato forte de oposição e pouco espaço para terceiras vias. A exceção é o Amapá, onde a disputa também é polarizada, mas o favorito é o ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), e não o governador.

Sem o governador, o que pesa é a avaliação do eleitor sobre se o governo merece eleger o sucessor. A correlação entre esse indicador e a intenção de voto no candidato governista é forte, mais forte do que a relação com a simples aprovação do governo. Em Goiás e na Paraíba, onde cerca de 70% ou mais acham que o governo merece fazer o sucessor, o candidato da situação lidera com folga. Já em estados como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Amazonas, onde esse índice é baixo, a sucessão está ameaçada, a oposição entra com força e as disputas se fragmentam rumo ao segundo turno.

O Paraná é o ponto fora da curva. Lá, 65% do eleitorado acha que Ratinho Junior (PSD) merece eleger o sucessor, mas quem lidera é Sergio Moro (PL), e o candidato do governador, Sandro Alex (PSD), aparece com cerca de 20%.

Nos estados em que o candidato governista não lidera isoladamente, os favoritos têm perfis variados: ex-prefeitos de capitais com peso político, como João Campos (PSB) em Pernambuco, JHC (PSDB) em Alagoas, Eduardo Braide (PSD) no Maranhão, Allyson Bezerra (União) no Rio Grande do Norte e Lorenzo Pazolini (Republicanos) no Espírito Santo; nomes que representam os campos de esquerda ou direita, como Zucco (PL) e Juliana Brizola (PDT) no Rio Grande do Sul, Cleitinho (Republicanos) e Patrus Ananias (PT) em Minas Gerais; e lideranças estaduais consolidadas, como Omar Aziz (PSD) no Amazonas.

O recorde não está garantido. As quatro disputas acirradas dependem de pequena

Com informacoes de G1 Política.

Rui Barbosa Oliveira

Sobre o Autor: Rui Barbosa Oliveira

Rui é a cobertura política do MOTNAF.NEWS com o pé firme na imparcialidade. Congresso, STF, Palácio do Planalto, decisões de governo, votações e o que muda de fato na vida do brasileiro. Ele explica os dois lados, traz o contexto e se apoia em fatos, sem opinião e sem tomar partido. E antes de publicar, confere a notícia nos maiores sites de política para não errar. Política séria, sem grito e sem torcida.