Articulação com estados e aplicação da PEC são desafios para Lula mudar cenário na segurança pública
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta dois grandes desafios para alterar o cenário da segurança pública no país: a articulação com os governos estaduais e a aplicação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) voltada ao tema. Ambas as frentes são consideradas decisivas para que a União consiga avançar no combate ao crime organizado e na melhoria da gestão da segurança.
Na área de segurança pública, a Constituição atribui a maior parte das responsabilidades operacionais aos estados, por meio das polícias militares e civis. Por isso, a coordenação entre o governo federal e as unidades da federação é apontada como condição básica para que qualquer política nacional produza resultados. Diferenças partidárias, divergências sobre prioridades e limitações orçamentárias dos estados aparecem como obstáculos recorrentes nesse diálogo.
A PEC da Segurança Pública, por sua vez, busca redefinir atribuições, fortalecer mecanismos de integração entre as forças de segurança e ampliar a participação da União em ações de combate ao crime organizado. Sua aplicação, porém, depende de regulamentação posterior e de adesão dos estados, o que pode demandar tempo e negociações complexas no Congresso e nas assembleias legislativas.
Especialistas em segurança pública e administração pública avaliam que o sucesso da iniciativa dependerá de três fatores: a capacidade do governo federal de construir pactos com governadores de diferentes espectros políticos, a definição clara de responsabilidades e de fontes de financiamento e a continuidade das ações ao longo de diferentes gestões. Sem esses elementos, o risco é de que a proposta permaneça no plano normativo sem reflexos concretos na redução da criminalidade.
O debate ganha força em um momento em que o crime organizado amplia sua atuação em diversas regiões do país, com disputas territoriais e atividades ligadas ao tráfico de drogas, à lavagem de dinheiro e a outras modalidades criminosas. Nesse contexto, a expectativa é de que o Planalto apresente, nos próximos meses, medidas concretas de cooperação com os estados para tentar mudar a percepção e os indicadores de segurança.
Com informacoes de Folha de S.Paulo.

