Anvisa registra Aquipta, novo tratamento oral contra enxaqueca

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 08/09/2026 11:20
Anvisa registra Aquipta, novo tratamento oral contra enxaqueca

Foto: via G1

A Anvisa concedeu registro ao Aquipta (atogepanto hidratado), produto oral da AbbVie destinado à prevenção da enxaqueca, ampliando a recente geração de fármacos que atuam sobre o peptídeo CGRP, envolvido nos mecanismos de dor da doença.

O atogepanto integra a classe dos "gepants", moléculas pequenas que bloqueiam o receptor do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP). Ao ocupar esse receptor, o fármulo impede a ação do CGRP, reduzindo a transmissão da dor que ocorre durante as crises, diferentemente dos anticorpos monoclonais que são administrados por injeção.

Foram autorizadas duas apresentações: comprimidos de 10 mg e de 60 mg, acondicionados em caixas contendo 28 unidades. O registro tem validade até setembro de 2036; os 36 meses citados referem‑se ao prazo de validade das apresentações, não ao período de autorização sanitária.

A aprovação sanitária não garante a incorporação ao SUS, que depende de avaliação da Conitec. Além disso, o preço ainda será definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Segundo Fernando Mos, diretor médico da AbbVie Brasil, a empresa ainda não tem previsão de custo nem de chegada do medicamento às farmácias brasileiras.

O atogepanto já recebeu aprovação nos Estados Unidos e na União Europeia. Na UE, o Aquipta foi autorizado em 2023 para prevenção da enxaqueca em adultos com ao menos quatro dias de crise mensais, e em 2026 a indicação foi ampliada para tratamento de crises agudas.

Nos ensaios de fase 3, a eficácia do atogepanto foi avaliada tanto em enxaqueca episódica quanto crônica. No estudo ADVANCE (publicado no New England Journal of Medicine), 910 adultos com quatro a 14 dias de crise por mês foram randomizados para diferentes doses ou placebo por 12 semanas. Os pacientes que receberam 60 mg diários apresentaram redução média de 4,2 dias de enxaqueca por mês, contra 2,5 dias no grupo placebo, resultando em diferença de 1,7 dia. Além disso, 60,8 % dos tratados com 60 mg atingiram redução de ≥ 50 % no número de dias de crise, comparado a 29 % no placebo.

No estudo PROGRESS (publicado no The Lancet), 778 adultos com enxaqueca crônica (média de 19 dias de crise mensais) foram avaliados. A dose de 60 mg diária diminuiu a média de dias de crise em 6,9, enquanto o placebo reduziu em 5,1 dias. Cerca de 41 % dos pacientes tratados alcançaram redução de ≥ 50 % nas crises, contra 26 % no grupo placebo. Ambos os ensaios foram financiados pela Allergan, atualmente parte da AbbVie.

Os efeitos adversos mais frequentes observados foram constipação e náusea. Embora os resultados demonstrem benefício em relação ao placebo, os estudos não foram projetados para comparar diretamente o atogepanto com outras opções preventivas disponíveis.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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