Anvisa autoriza importação de ALN-6457 para tratamento compassivo da doença de Creutzfeldt-Jakob em Lito Sousa
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu, nesta sexta-feira (4), autorização excepcional para a importação da substância experimental ALN-6457, desenvolvida pela Regeneron Pharmaceuticals, com o objetivo de tratar o influenciador Lito Sousa, que foi diagnosticado com a rara e fatal doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ).
Lito será o primeiro paciente a testar a ALN-6457, que ainda se encontra em fase pré-clínica e não possui registro comercial no Brasil nem representante legal no país. O acesso ao medicamento ocorreu por meio de um programa de uso compassivo, que permite que pacientes sem alternativas terapêuticas tenham acesso a substâncias ainda em fase experimental.
O pedido de importação foi formalizado pelo Hospital Israelita Albert Einstein, responsável pelo acompanhamento clínico de Lito, após a inclusão do caso no programa de uso compassivo. Mila Seidl, esposa do influenciador, relatou que foi ela quem solicitou a inclusão e coordenou a ação conjunta envolvendo o Ministério da Saúde, o Einstein, a Anvisa e a Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos.
Em publicação no Instagram, Mila Seidl escreveu: "O impossível está virando realidade! Estamos prontos para receber o tratamento! Expectativa de chegar no Brasil em 7/9 dias".
Segundo a Anvisa, o uso compassivo foi aprovado considerando a rápida evolução e a irreversibilidade da DCJ, bem como a ausência de patrocinador ou representante responsável no território nacional. Não foram divulgados detalhes sobre a forma de administração ou o cronograma do tratamento.
A doença de Creutzfeldt-Jakob é uma enfermidade priônica causada pela alteração anômala da proteína príon, que se multiplica no cérebro e destrói neurônios, gerando um padrão espongiforme no tecido cerebral. O neurologista José Bauab explicou que o príon se instala dentro do neurônio, intoxicando-o progressivamente, e que a toxicidade também afeta a glia, responsável pelo suporte aos neurônios.
No Brasil, a DCJ atinge predominantemente pessoas mais velhas: a faixa etária de 55 a 74 anos concentra 60,2 % das notificações, com idade média de 66 anos entre os casos suspeitos. A forma esporádica costuma acometer indivíduos entre 60 e 80 anos, o que difere do perfil de Lito Sousa.
Estudos do Ministério da Saúde indicam que cerca de 90 % dos pacientes evoluem para óbito entre seis meses e um ano após o início dos sintomas, com sobrevida média de cinco meses. Entre as notificações analisadas, foram registrados 290 óbitos, embora o boletim aponte falhas no preenchimento e acompanhamento dos dados.
De acordo com levantamento do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 547 casos confirmados de Creutzfeldt-Jakob entre 2005 e 2021, período que corresponde aos primeiros 17 anos desde que a doença passou a integrar a lista de notificações compulsórias.
Com informacoes de G1.

