Ações da Renner Caem Após Revisão de Projeções para 2026

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 07/08/2026 12:00
Ações da Renner Caem Após Revisão de Projeções para 2026

Foto: via Valor Econômico

A principal causa da reação negativa do mercado foi a revisão da projeção de crescimento da receita líquida para 2026, que passou de uma faixa de 9% a 13% para 4% a 8%. Segundo a varejista, a mudança reflete um desempenho de vendas abaixo do esperado no primeiro semestre, além de um ambiente macroeconômico e competitivo mais desafiador.

Durante a teleconferência de resultados, o presidente da Renner, Fabio Faccio, afirmou que o impacto da Copa do Mundo sobre o fluxo das lojas físicas foi mais intenso do que o inicialmente esperado pela companhia. “Quantificar o efeito da Copa é sempre difícil, mas eu diria que no trimestre pode ter afetado o nosso desempenho entre três e quatro pontos percentuais”, afirmou Faccio.

Segundo o executivo, a redução do tráfego não ficou restrita aos dias de jogos da seleção brasileira, mas ocorreu durante todo o período do torneio, que teve maior número de seleções participantes, mais partidas e maior acesso por meio de plataformas digitais. Além disso, Faccio afirmou que o evento também ampliou a relevância dos canais digitais e intensificou a concorrência no ambiente on-line.

Durante a Copa, a participação do digital nas vendas da Renner chegou a quase 17%, o maior patamar registrado pela companhia. Ao explicar a revisão das projeções, o executivo disse que a companhia decidiu atualizar a projeção para manter a transparência com investidores. “A projeção que tínhamos para 2027 a 2030 continua válida. Em 2026, já estávamos mais próximos da faixa inferior do ‘guidance’. Como, após seis ou sete meses, ficamos abaixo do que esperávamos, entendemos que não chegaríamos mais aos 9% da projeção inicial e decidimos divulgar uma estimativa específica para este ano”, explicou.

Apesar da pressão sobre a receita, a Renner apresentou melhora em indicadores operacionais. A margem bruta de varejo atingiu 57,5% no segundo trimestre, maior nível para um trimestre de abril a junho, impulsionada pela gestão de estoques, maior participação de produtos vendidos a preço cheio e ganhos de eficiência.

O diretor financeiro da companhia, Daniel Martins dos Santos, afirmou que a expectativa é manter a rentabilidade em níveis elevados no segundo semestre. “Acreditamos que a margem bruta vai seguir em níveis saudáveis. Temos a oportunidade de seguir expandindo margem bruta de varejo para os próximos dois trimestres, fruto dessa combinação de margem bruta e também do trabalho que nós estamos realizando em despesas”, afirmou Santos.

As despesas operacionais cresceram 1,5% no período, enquanto o Ebitda de varejo somou R$ 791,2 milhões, alta de 2,3% em relação ao segundo trimestre de 2025. Na divisão de serviços financeiros, a Realize, o resultado foi de R$ 53,5 milhões, com queda em bases comparáveis, em meio à estratégia de maior seletividade na concessão de crédito diante do elevado nível de endividamento das famílias.

Santos afirmou que a companhia mantém uma postura cautelosa na originação de novos clientes. “Seguimos com uma originação cautelosa, mais seletiva. No momento em que a gente perceber que o momento é mais propício, a gente vai poder retomar a originação para perfis de riscos que hoje a gente acredita que não faça sentido”, disse o executivo.

Embora tenha reduzido a projeção para 2026, a Renner manteve a expectativa de crescimento de 9% a 13% para o ciclo de 2027 a 2030.

Com informacoes de Valor Econômico.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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