Astronautas da ISS descrevem odor metálico após caminhadas espaciais
O vácuo do espaço não contém moléculas suficientes para levar odores até o nariz, mas astronautas que realizam caminhadas extraveiculares (EVA) na Estação Espacial Internacional (ISS) têm relatado um fenômeno curioso: ao retornarem à cabine pressurizada e abrir o capacete, percebem um odor que lembra metal, vapores de solda, pólvora ou material queimado.
A NASA tem reunido esses relatos de diferentes tripulantes, mas até o momento não identificou a molécula responsável. O órgão deixa claro que a origem exata do cheiro permanece desconhecida, embora existam hipóteses químicas em discussão.
Uma das explicações envolve o oxigênio atômico. Na órbita baixa da Terra, a radiação ultravioleta solar rompe moléculas de O₂, gerando átomos de oxigênio altamente reativos. O ex‑astronauta e cientista Tom Jones sugeriu que esses átomos podem aderir ao traje e, ao ser reintroduzido em ambiente pressurizado, desencadear reações que formam ozônio (O₃), conhecido por seu odor característico. Essa hipótese é citada pela NASA como uma das possíveis causas, mas ainda não foi comprovada.
Os próprios astronautas descrevem o cheiro de maneiras distintas, mas há um padrão recorrente. Greg Chamitoff mencionou um “cheiro metálico forte”, enquanto Don Pettit comparou a sensação a “vapores de soldagem”. Outros relataram impressões de pólvora, ozônio ou até carne tostada, reforçando a ideia de que o odor está associado a materiais que foram aquecidos ou queimados.
Outra linha de investigação aponta para os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs). O astrofísico e químico Louis Allamandola trouxe à tona a possibilidade de que esses compostos, formados por átomos de carbono e hidrogênio e associados à fumaça e fuligem na Terra, contribuam para a percepção olfativa. Um artigo de 2005 publicado no Journal of the American Chemical Society analisou estratégias para detectar PAHs no meio interestelar, mas não abordou o odor dos trajes da ISS nem provou sua participação no fenômeno observado.
Para fins de treinamento, a NASA chegou a colaborar com a empresa de fragrâncias Omega Ingredients, que reproduziu o cheiro descrito pelos astronautas. O objetivo foi proporcionar uma experiência sensorial durante exercícios, e não validar a substância que realmente causa o odor no espaço.
Em resumo, o chamado “cheiro do espaço” não é percebido diretamente no vácuo, mas surge quando os equipamentos expostos ao ambiente espacial retornam à atmosfera controlada da estação. Essa diferença entre o espaço como um meio sem odor e a assinatura química deixada nos objetos torna o assunto particularmente intrigante.
Não é a primeira vez que a NASA investiga aspectos sensoriais de missões espaciais; como já mostramos em cobertura anterior, a agência treina astronautas debaixo d'água para simular condições lunares, demonstrando seu interesse constante em compreender como o corpo humano reage a ambientes extremos.
Com informacoes de Olhar Digital.

