NASA prepara lançamento do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman para criar o “Google Maps” do Universo

Por Cosmo Ricardo Nunes em Rio Verde, GO 26/08/2026 18:18
NASA prepara lançamento do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman para criar o “Google Maps” do Universo

Foto: Olhar Digital

A NASA está nos preparativos finais para lançar o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, um novo observatório que promete revolucionar a astronomia ao criar uma espécie de “Google Maps” do Universo, mapeando bilhões de galáxias com rapidez impressionante.

O lançamento será transmitido ao vivo pelo Olhar Digital, marcando o início de uma missão que pode ajudar a responder uma das perguntas mais antigas da humanidade: estamos sozinhos no Universo ou ainda não tínhamos as ferramentas necessárias para encontrar nossos possíveis vizinhos cósmicos?

O telescópio homenageia Nancy Grace Roman, reconhecida como a “Mãe do Hubble”. Como primeira chefe de astronomia da NASA, ela foi a mente articuladora que convenceu o governo e a comunidade científica sobre a importância de colocar telescópios no espaço.

A missão é liderada pelo Centro de Voos Espaciais Goddard, em parceria com o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) e o Instituto de Ciência do Telescópio Espacial (STScI), celebrando esse legado histórico.

Nas últimas semanas, a estrutura do equipamento enfrentou testes pesados na Terra. Os engenheiros simularam os tremores e as forças extremas do lançamento do foguete, além de submeter o sistema a testes de ruído alto e a câmaras térmicas que imitam o frio e o calor do espaço. Com a aprovação nesses exames, o telescópio ficou pronto para a jornada.

O lançamento será a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX. O destino é o ponto de Lagrange 2, uma região estável no espaço a 1,5 milhão de quilômetros da Terra – cerca de quatro vezes o trajeto até a Lua – garantindo condições ideais para observar o cosmos.

Operar nessa região traz grandes vantagens operacionais. O alinhamento com a Terra e o Sol permite que o escudo térmico do telescópio bloqueie o calor, mantendo as câmeras supergeladas. Além disso, o observatório terá uma visão livre, sem a interferência do nosso planeta, operando no mesmo local onde já trabalha o famoso Telescópio James Webb (JWST), como já mostramos em nossa cobertura sobre as descobertas do JWST.

A grande inovação do Roman está na sua capacidade de visão panorâmica. Enquanto o telescópio Hubble funciona como um microscópio focado em uma área pequena, o Roman atua como uma câmera fotográfica grande‑angular. Seu instrumento principal possui 300 megapixels de resolução e consegue fotografar vastas regiões do céu com extrema clareza.

Na prática, cada imagem capturada pelo Roman cobrirá uma área cem vezes maior do que uma foto equivalente do Hubble, mantendo a mesma qualidade. O observatório também fará varreduras mil vezes mais rápidas. Em apenas cinco anos, ele fotografará uma área cinquenta vezes maior do que o Hubble registrou ao longo de mais de trinta anos, consolidando, na prática, um atlas estelar equivalente a um verdadeiro “Google Maps” cósmico.

Essa velocidade permitirá registrar eventos cósmicos passageiros que antes passavam despercebidos. O telescópio conseguirá capturar explosões de estrelas no exato momento em que acontecem, além de monitorar colisões entre estrelas mortas e outros fenômenos violentos pelo espaço, gerando um volume inédito de informações para a ciência.

Para descobrir novos planetas fora do Sistema Solar, o Roman usará duas técnicas especiais. A primeira delas emprega um instrumento chamado coronógrafo, que funciona como uma máscara interna, bloqueando a iluminação direta das estrelas para que a luz dos planetas ao redor possa ser enxergada pelos cientistas. Em participação no programa Olhar Espacial, apresentado pelo astrônomo Marcelo Zurita, a astrobióloga Raíssa Estrela explicou que, ao bloquear essa iluminação, os pesquisadores conseguem observar a luz refletida pelos planetas, permitindo a fotografia direta desses sistemas. “Vai deixar de ser uma medida indireta, como é o caso que a gente faz hoje com o James Webb, para também ter agora o imageamento mesmo dos planetas”, destacou Raíssa.

Com o coronógrafo, o foco principal será fotografar planetas gigantes gasosos, parecidos com Júpiter. Para encontrar mundos menores, o Roman usará a microlente gravitacional, fenômeno que ocorre quando a gravidade de uma estrela deforma a luz de outra ao fundo, revelando a presença de planetas invisíveis por meio dessa distorção.

Além de procurar novos mundos, o telescópio investigará os dois maiores mistérios da física: a matéria escura e a energia escura, que juntas compõem cerca de 95 % do Universo, mas permanecem invisíveis. A matéria escura funciona como uma cola invisível entre galáxias, enquanto a energia escura acelera a expansão do espaço. Para entender essas forças invisíveis, o Roman criará um mapa tridimensional do cosmos com precisão sem precedentes.

Com informacoes de Olhar Digital.

Cosmo Ricardo Nunes

Sobre o Autor: Cosmo Ricardo Nunes

Cosmo é o olho do MOTNAF.NEWS voltado pro infinito. De lançamentos da NASA e SpaceX a buracos negros, eclipses, missões a Marte e as descobertas que mudam nossa visão do universo, ele traduz o que rola lá em cima numa linguagem que qualquer terráqueo entende. Se aconteceu no espaço, o Cosmo já está de telescópio apontado.