Zidane remodela a França: 4-3-3 à la Real Madrid e nova função para Mbappé
A França começa a exibir a identidade do seu novo treinador, Zinedine Zidane, após mais de dez anos sob a batuta de Didier Deschamps. O ex-meio‑campista, que assumiu o comando nesta sexta‑feira (25) para o duelo contra a Turquia na Liga das Nações, prometeu alterações pontuais, sobretudo na ocupação de Kylian Mbappé.
Desde a segunda‑feira (21), a equipe tem treinado sob a nova comissão técnica. Conforme noticiado pelo jornal L’Équipe, os trabalhos ganharam ênfase em simular situações de partida. Na quarta‑feira (23), duas informações ganharam destaque na mídia francesa: o esquema que Zidane pretende implantar e a nova função atribuída ao seu principal atacante.
Nos últimos dias de Deschamps, pouco antes da Copa de 2026, o técnico havia adotado um 4‑2‑3‑1 ousado, com Mbappé como centro‑avante, Michael Olise como número 10, Bradley Barcola na ponta esquerda e Ousmane Dembélé na direita. Zidane pretende manter a ideia de um bloco ofensivo, mas com variações. Ele almeja um 4‑3‑3, mantendo Rayan Cherki como armador ao lado de Manu Koné e Adrien Rabiot no meio‑campo.
No ataque, Mbappé, Dembélé e Olise deverão atuar em papéis diferentes dos usados na Copa do Mundo, onde o trio foi elogiado pela criatividade. Zidane testou duas equipes na quarta‑feira: a primeira contou com Pierre Kalulu, Jeremy Jacquet, Ibrahima Konaté e Adrien Truffert; a segunda reuniu Cherki, Lucas Da Cunha e Rabiot; a terceira trouxe Désiré Doué, Dembélé e Barcola; a quarta formou Jules Koundé, Dayot Upamecano, Maxence Lacroix, Andy Diouf, Maghnes Akliouche, Koné e Eduardo Camavinga; e a quinta incluiu Olise, Esteban Lepaul e Barcola, que foi “repetido” devido à gripe de Mbappé.
Zidane já havia sinalizado, ao divulgar a convocação, sua preferência por Mbappé na ala esquerda. “Ele tem capacidade para atuar nas três posições. Ele próprio afirma isso. Eu, por exemplo, gosto muito dele pelo lado esquerdo”, afirmou o técnico. O atacante, que não atuava nessa posição desde a semifinal da Eurocopa 2024 – derrota para a Espanha, onde registrou apenas 29 toques e uma finalização ao alvo – volta ao flanco esquerdo numa tentativa de explorar sua velocidade e o corte para a perna direita.
O plano prevê Dembélé como falso nove, abrindo espaços para o capitão, enquanto Olise, que desempenhou a função de número 10 na Copa, reassume a ponta direita. Essa reorganização levanta questões defensivas, já que Mbappé, historicamente menos envolvido nas tarefas sem a bola, costuma ser usado como centro‑avante para reduzir suas responsabilidades defensivas – estratégia adotada por Luis Enrique, Carlo Ancelotti, Xabi Alonso e até Deschamps. Zidane parece buscar um caminho diferente, mas isso exigirá compensações, como a possível cobertura de Rabiot no lado esquerdo ou a contribuição ofensiva do lateral‑esquerdo Andy Diouf.
Ofensivamente, a ausência de amplitude pelo flanco pode exigir que Diouf avance para criar oportunidades, enquanto Mbappé corta para dentro. A interação entre Dembélé, Cherki e Olise ainda é incerta, e as respostas surgirão no confronto contra a Turquia. Caso o esquema se mostre eficaz, Zidane pode replicá‑lo nas partidas contra a Bélgica (duas vezes) e a Itália, todas dentro da janela da FIFA que se estende até 5 de outubro. Como já analisamos na cobertura da tensão entre Mbappé e Dembélé, a nova disposição tática pode ser decisiva para equilibrar a química entre os dois jogadores.
Com informacoes de Trivela.

