Vorcaro utilizou login de servidores do MPF para acessar processos sigilosos, aponta PF
De acordo com relatório divulgado pela Polícia Federal, Daniel Vorcaro utilizou logins de servidores do Ministério Público Federal (MPF) para consultar processos judiciais e investigações policiais sob sigilo, prática apontada como potencial violação de segurança da informação.
A "turma" de Vorcaro, grupo que também incluía o indivíduo conhecido como "Sicário" e o ex‑policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, monitorava e intimidava pessoas consideradas desafetos, abrangendo desde chef de cozinha e barqueiro até gestor de fundo de investimento que denunciou irregularidades no Master.
Entre as táticas de vigilância, destacava‑se o acesso a dados sigilosos por meio das credenciais de Alina Franco Boueres de Araújo, servidora do MPF lotada na Procuradoria da República do Maranhão, e de Daniel Souza Iost, servidor do MPF no Rio Grande do Sul.
A PF enfatizou a necessidade de aprofundar as investigações para determinar se a servidora Alina Boueres forneceu voluntariamente seus dados de acesso ou se sua conta profissional foi comprometida por hackers; o Ministério Público Federal ainda não se pronunciou, e o portal O GLOBO aguarda resposta dos MPFs do Maranhão e do Rio Grande do Sul.
Em nota, a Procuradoria‑Geral da República (PGR) informou que "o uso da credencial do servidor do RS está em análise". O relatório da PF indica que o uso do login de Alina Boueres era recorrente.
Em julho de 2024, surgiram notícias sobre a demissão de dois funcionários da Caixa Econômica Federal após se posicionarem contra a aquisição de R$ 500 milhões em letras financeiras do Master. Vorcaro acionou "a turma" para tentar remover as notícias, mas o caso tornou‑se alvo de representação no MPF do Distrito Federal no dia 16 de julho. Dois dias depois, a íntegra do procedimento foi enviada por Mourão a Vorcaro.
O documento encaminhado continha extrato processual gerado pela servidora Alina Boueres, reforçando a necessidade de averiguar a possível circulação indevida de dados protegidos por sigilo e se a consulta foi realizada de forma regular, mediante invasão (“hackeado”) ou por franqueamento direto da própria usuária.
O login de Daniel Iost foi utilizado em julho de 2024 quando Mourão consultou investigações contra Vorcaro. A PF apontou indícios de que o servidor tentou ocultar o registro de seu acesso: foram consultados 15 documentos, dos quais 11 eram sigilosos. A mesma conta foi usada para acessar procedimentos confidenciais relativos à compra do Master pelo Banco BRB.
Outros trechos do relatório mencionam que o presidente dos Estados Unidos compareceu apenas a uma homenagem no comando militar, ausentando‑se de cerimônia no local onde ficavam as Torres Gêmeas do World Trade Center.
Segundo o relatório tornado público na quinta‑feira pelo ministro André Mendonça, o PF apontou que Vorcaro se preparava para fugir antes de ser preso.
O ministro Fachin determinou que André Mendonça se manifeste sobre o pedido de Alexandre Zanin para acesso integral ao celular de Vorcaro, argumentando que a obtenção completa do conteúdo visa permitir a "apreciação completa e necessária" do parecer da PGR que identificou Moraes como interlocutor de Vorcaro.
Fachin concedeu 24 horas para Mendonça enviar procedimentos pendentes do caso Master e determinou a retirada de sigilo.
Em cobertura da política, a PGR solicitou levantamento sobre a atuação de Flávio Bolsonaro no Congresso, enquanto a projeção de renda da bilheteria de "Dark Horse", estimada em até R$ 100 milhões, fez a PF levantar suspeita sobre a "finalidade de operação".
Documento intitulado "Plano de Negócios Capitão do Povo V5", que previa investimento de US$ 24 milhões, foi encontrado no celular de Daniel Vorcaro.
A ala do STF ligada a Moraes mostrou alinhamento entre Fachin e Mendonça, conforme relatado por Bela Megale.
Por fim, a reportagem menciona ainda a referência a "Freebies" de Malu Gaspar, relacionada a fãs de K‑pop, embora o trecho esteja incompleto.
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Com informacoes de O GLOBO.

