Vorcaro utilizou login de servidores do MPF para acessar processos sigilosos, aponta PF

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 11/09/2026 15:00
Vorcaro utilizou login de servidores do MPF para acessar processos sigilosos, aponta PF

Foto: via O GLOBO

De acordo com relatório divulgado pela Polícia Federal, Daniel Vorcaro utilizou logins de servidores do Ministério Público Federal (MPF) para consultar processos judiciais e investigações policiais sob sigilo, prática apontada como potencial violação de segurança da informação.

A "turma" de Vorcaro, grupo que também incluía o indivíduo conhecido como "Sicário" e o ex‑policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, monitorava e intimidava pessoas consideradas desafetos, abrangendo desde chef de cozinha e barqueiro até gestor de fundo de investimento que denunciou irregularidades no Master.

Entre as táticas de vigilância, destacava‑se o acesso a dados sigilosos por meio das credenciais de Alina Franco Boueres de Araújo, servidora do MPF lotada na Procuradoria da República do Maranhão, e de Daniel Souza Iost, servidor do MPF no Rio Grande do Sul.

A PF enfatizou a necessidade de aprofundar as investigações para determinar se a servidora Alina Boueres forneceu voluntariamente seus dados de acesso ou se sua conta profissional foi comprometida por hackers; o Ministério Público Federal ainda não se pronunciou, e o portal O GLOBO aguarda resposta dos MPFs do Maranhão e do Rio Grande do Sul.

Em nota, a Procuradoria‑Geral da República (PGR) informou que "o uso da credencial do servidor do RS está em análise". O relatório da PF indica que o uso do login de Alina Boueres era recorrente.

Em julho de 2024, surgiram notícias sobre a demissão de dois funcionários da Caixa Econômica Federal após se posicionarem contra a aquisição de R$ 500 milhões em letras financeiras do Master. Vorcaro acionou "a turma" para tentar remover as notícias, mas o caso tornou‑se alvo de representação no MPF do Distrito Federal no dia 16 de julho. Dois dias depois, a íntegra do procedimento foi enviada por Mourão a Vorcaro.

O documento encaminhado continha extrato processual gerado pela servidora Alina Boueres, reforçando a necessidade de averiguar a possível circulação indevida de dados protegidos por sigilo e se a consulta foi realizada de forma regular, mediante invasão (“hackeado”) ou por franqueamento direto da própria usuária.

O login de Daniel Iost foi utilizado em julho de 2024 quando Mourão consultou investigações contra Vorcaro. A PF apontou indícios de que o servidor tentou ocultar o registro de seu acesso: foram consultados 15 documentos, dos quais 11 eram sigilosos. A mesma conta foi usada para acessar procedimentos confidenciais relativos à compra do Master pelo Banco BRB.

Outros trechos do relatório mencionam que o presidente dos Estados Unidos compareceu apenas a uma homenagem no comando militar, ausentando‑se de cerimônia no local onde ficavam as Torres Gêmeas do World Trade Center.

Segundo o relatório tornado público na quinta‑feira pelo ministro André Mendonça, o PF apontou que Vorcaro se preparava para fugir antes de ser preso.

O ministro Fachin determinou que André Mendonça se manifeste sobre o pedido de Alexandre Zanin para acesso integral ao celular de Vorcaro, argumentando que a obtenção completa do conteúdo visa permitir a "apreciação completa e necessária" do parecer da PGR que identificou Moraes como interlocutor de Vorcaro.

Fachin concedeu 24 horas para Mendonça enviar procedimentos pendentes do caso Master e determinou a retirada de sigilo.

Em cobertura da política, a PGR solicitou levantamento sobre a atuação de Flávio Bolsonaro no Congresso, enquanto a projeção de renda da bilheteria de "Dark Horse", estimada em até R$ 100 milhões, fez a PF levantar suspeita sobre a "finalidade de operação".

Documento intitulado "Plano de Negócios Capitão do Povo V5", que previa investimento de US$ 24 milhões, foi encontrado no celular de Daniel Vorcaro.

A ala do STF ligada a Moraes mostrou alinhamento entre Fachin e Mendonça, conforme relatado por Bela Megale.

Por fim, a reportagem menciona ainda a referência a "Freebies" de Malu Gaspar, relacionada a fãs de K‑pop, embora o trecho esteja incompleto.

Com informacoes de O GLOBO.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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