Tia Surica, da Portela, recebe Medalha Chiquinha Gonzaga na sua casa no Rio
Na noite desta quarta‑feira, 23 de setembro, a lendária Tia Surica, referência feminina da escola de samba Portela, recebeu a Medalha Chiquinha Gonzaga, concedida pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro. A honraria, criada em 1999 e batizada em homenagem à compositora e maestrina Chiquinha Gonzaga, celebra a contribuição de mulheres para a sociedade e para a cultura.
Com 85 anos, Iranette Ferreira Barcellos – conhecida como Tia Surica – acumula mais de oito décadas de dedicação à Portela, ao samba e ao carnaval carioca. Em entrevista, a cantora expressou sua emoção: “Receber essa medalha é uma alegria muito grande. A Portela e o samba fazem parte da minha vida desde menina. Divido essa homenagem com as mulheres que vieram antes de mim, que cantaram, cuidaram das nossas escolas e abriram caminho para tanta gente. É uma história que a gente precisa continuar contando”.
A cerimônia foi realizada no endereço particular de Tia Surica, local carinhosamente chamado de Cafofo da Tia Surica pelos seus frequentadores mais íntimos. O evento contou com uma roda de samba e a apresentação da bateria da Portela, reforçando o vínculo entre a homenagem e a tradição musical da agremiação.
Júnior Escafura, presidente da Portela, ressaltou a importância da conquista: “Tia Surica ajudou a construir a Portela que o mundo conhece. Ver essa trajetória reconhecida é motivo de orgulho para cada portelense e reforça a importância de valorizar as mulheres que sustentam a história do samba”.
Nascida em Madureira em 17 de novembro de 1940, Iranette começou a desfilar pela Portela aos quatro anos, acompanhada da família. Em 1966, foi uma das vozes que conduziram o samba “Memórias de um Sargento de Milícias”, de Paulinho da Viola, no desfile campeão da escola. A partir de 1980, integrou a Velha Guarda da Portela, participando de shows e gravações que consolidaram sua presença na história do samba.
Como já destacamos em nossas coberturas sobre personalidades femininas que marcam a cultura brasileira, como a rainha de bateria Paolla Oliveira, a trajetória de Tia Surica demonstra o peso das mulheres na perpetuação e renovação dos símbolos do nosso patrimônio popular.
Com informacoes de Gshow.

