Teste do gene SRY pode impedir Tifanny Abreu de permanecer no vôlei feminino
A ponteira Tifanny Abreu, do Osasco Voleibol Clube, tem sua carreira ameaçada após a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) atualizar as regras de elegibilidade para a modalidade feminina, adotando o critério definido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) que exige a realização do teste do gene SRY.
O COI divulgou a nova norma em março deste ano, estabelecendo que o exame será obrigatório para atletas que pretendam participar dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, bem como para diversas competições nacionais nos próximos ciclos.
O gene SRY, localizado no cromossomo Y, é responsável pela diferenciação das gônadas em testículos. Na ausência desse gene, as gônadas se desenvolvem em ovários. O professor Daniel Gilban, endocrinologista pediátrico do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe/Uerj), esclarece que a presença do SRY determina a formação dos tecidos testiculares, enquanto a sua ausência conduz ao desenvolvimento ovariano.
Embora o teste SRY seja amplamente usado para confirmar o sexo biológico de recém‑nascidos, ele também pode ser solicitado em situações clínicas específicas, como indivíduos com cariótipo XX que apresentam genitália masculina, atraso puberal ou infertilidade. O médico geneticista Ciro Martinhago, especialista em doenças raras pela Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM) e PhD em Genética Reprodutiva, exemplifica esses casos e destaca a utilidade do exame em diagnósticos diferenciados.
Vários ícones do voleibol brasileiro – Fabi, Sheilla, Gabi e outras lendas do esporte – manifestaram apoio público a Tifanny, reforçando a solidariedade da comunidade esportiva.
A Federação Paulista de Voleibol informou que Tifanny está liberada para disputar o Campeonato Paulista, pois o torneio teve início antes da publicação da nova regra pela CBV. Em jogo contra o Pinheiros, a atleta fez uma homenagem à torcida do Osasco, registrada em foto com crédito a Osasco Voleibol Clube/@carol_fotografia.
O ortopedista e especialista em medicina esportiva João Polydoro, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, ressalta que o exame não faz parte de rotinas esportivas, sendo indicado apenas quando há discordância entre características genitais e genéticas, atraso de puberdade, amenorreia ou suspeita de disfunção gonadal.
O teste pode ser realizado por meio de um cotonete na mucosa bucal ou por coleta de sangue, conforme a conveniência do atleta. O COI afirma que o resultado tem validade permanente.
A CBV divulgou que a exigência do teste SRY será aplicada nas competições da Superliga A e B (temporada 26/27), Supercopa 2026, Copa Brasil 2027, Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027 (adulto), CBVP Challenger 2027 e nas edições subsequentes enquanto a política estiver em vigor.
Enquanto isso, o Osasco Voleibol Clube declarou apoio institucional a Tifanny e informou que seu departamento jurídico está analisando as implicações legais da norma para definir as próximas ações.
Especialistas apontam que existem pessoas cujas variações hormonais e genéticas não são capturadas pelo teste SRY. O professor Daniel Gilban explica que há mulheres com SRY positivo e homens com SRY negativo, situações classificadas nas ciências biomédicas como DDS (diferenças do desenvolvimento sexual) ou, nas ciências sociais, como intersexo.
Ciro Martinhago também menciona a possibilidade de exceções ao critério, afirmando que o objetivo do exame não é rotular gênero, mas identificar a presença de tecido testicular que poderia influenciar a produção hormonal, o que tem sido usado como parâmetro pelo COI.
Com informacoes de UOL.

