Tesouro IPCA+ x CDI: entenda por que a taxa real de 9% pode ser mais atrativa que 7%‑8% de inflação
Com a taxa Selic em trajetória descendente, os juros no Brasil permanecem elevados, o que mantém a renda fixa como a classe de ativos preferida dos investidores locais. Desta vez, os títulos atrelados à inflação, como os Tesouro IPCA+, Tesouro Educa+ e Tesouro RendA+, registram retornos acima de 7% + IPCA, e os que vencem próximo de 2030 chegam a superar 8% + IPCA, níveis que antes só surgiam em períodos de crise e, então, de forma pontual. Esses patamares se mantêm há mais de um ano, reforçando a atratividade desses papéis.
Historicamente, consideramos que títulos públicos indexados à inflação se tornam oportunidades de compra quando oferecem remunerações em torno de 6% + IPCA; portanto, taxas reais de 7% ou 8% são extremamente interessantes. Não é a primeira vez que o IPCA+ ganha destaque, como apontado na cobertura de 19/08, quando a queda nas taxas do Tesouro Direto foi liderada justamente por esses títulos.
Entretanto, ao comparar com investimentos que acompanham a taxa básica de juros – os títulos atrelados à Selic ou ao CDI – observa‑se um retorno nominal de aproximadamente 14% ao ano. Considerando que a inflação média dos últimos 20 anos ficou próxima de 5%, o juro real desses papéis chega a cerca de 9% ao ano, superior ao retorno real dos Tesouro IPCA+.
Os títulos indexados à inflação apresentam volatilidade elevada: seus preços variam diariamente conforme as expectativas de juros e inflação até o vencimento. Quem vende antes do prazo pode receber menos que o previsto ou até registrar perdas, já que a negociação antecipada ocorre a preço de mercado. Apenas o investidor que mantém o título até o vencimento garante o retorno contratado.
No âmbito do crédito privado, debêntures, CRIs e CRAs também oferecem remunerações acima de 7% + IPCA, muitas vezes com isenção de Imposto de Renda. Contudo, esses papéis sofrem flutuações de preço ligadas ao risco de calote do emissor, já que empresas privadas, projetos imobiliários, agrícolas ou de infraestrutura apresentam maior vulnerabilidade que o governo federal.
Em contraste, investimentos atrelados à Selic ou ao CDI – como Tesouro Selic, Tesouro Reserva ou CDBs de grandes bancos – apresentam variação de preço mínima e valorizam-se de forma previsível ao longo do tempo. O risco de inadimplência nesses ativos é praticamente inexistente, tornando‑os os de menor risco da economia brasileira atualmente.
Diante desse cenário, surge a pergunta: por que adquirir um Tesouro IPCA+ que paga 7%‑8% reais quando é possível obter cerca de 9% reais com um título atrelado à Selic ou ao CDI, sem praticamente nenhum risco de volatilidade? A resposta não é vender tudo e migrar para o Tesouro Selic. Há espaço para diversificação, pois a alta da Selic há anos dificultou a competição de outros investimentos, como ações, imóveis para aluguel ou fundos imobiliários, que precisam superar os 14% ao ano para serem atraentes.
Além disso, o crédito caro limita o acesso a recursos para empreendedores e empresas, o que tem resultado em um número crescente de falências, desistências de projetos e resgates massivos em fundos de ações e multimercados. Esse ambiente de juros elevados reforça a importância de equilibrar a carteira entre ativos de risco mais baixo, como os títulos públicos, e oportunidades que ofereçam retornos reais superiores, ainda que com alguma volatilidade.
Portanto, a escolha entre Tesouro IPCA+ e investimentos atrelados ao CDI depende do perfil de risco, horizonte de investimento e tolerância à variação de preços, e não apenas da taxa nominal oferecida.
Com informacoes de Seu Dinheiro.

