Terapia CAR-T: O Tratamento que Mudou o Cenário para Pacientes com Câncer

Por Theodoro Augusto Martins em Rio Verde, GO 13/07/2026 09:13
Terapia CAR-T: O Tratamento que Mudou o Cenário para Pacientes com Câncer

Foto: Olhar Digital

A terapia CAR-T, que utiliza linfócitos T do próprio paciente modificados em laboratório para combater o câncer, ganhou destaque recentemente após o ator Sam Neill revelar que estava em remissão de um linfoma graças a essa técnica. O tratamento mudou o cenário para pacientes que já haviam esgotado outras alternativas, oferecendo uma nova esperança para aqueles afetados por certos tipos de câncer.

No Brasil, porém, o acesso a essa terapia ainda é restrito. O tratamento é diferente da quimioterapia tradicional, pois em vez de atacar células que se multiplicam rapidamente, a terapia CAR-T utiliza o próprio sistema imunológico do paciente para reconhecer e destruir as células cancerígenas. O processo envolve a retirada de linfócitos T do paciente, que então passam por modificação genética em laboratório para receber um receptor artificial chamado CAR, capaz de identificar o tumor.

A CAR-T é aprovada para alguns cânceres do sangue, como leucemias, linfomas e mieloma múltiplo, e normalmente é destinada a pessoas cujo câncer voltou ou deixou de responder às terapias convencionais. Pesquisadores também estão estudando seu uso contra tumores sólidos, entre eles os de pulmão, mama e cérebro, com resultados ainda iniciais.

Estudos conduzidos pela Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Instituto Butantan, mostraram que 87,5% dos pacientes com linfoma não Hodgkin tiveram redução significativa ou desaparecimento do tumor após receberem uma versão nacional da terapia produzida no Hemocentro de Ribeirão Preto. Outra pesquisa no Hospital Israelita Einstein registrou resposta ao tratamento em 81% dos pacientes com leucemias e linfomas avançados, enquanto 72% entraram em remissão completa.

Apesar desses resultados promissores, o tratamento comercial é caro, custando entre R$ 2 milhões e R$ 4 milhões por paciente, e exige hospitais altamente especializados. Além disso, há poucos centros habilitados, e em alguns casos, as células precisam ser enviadas para laboratórios no exterior. O desenvolvimento de versões nacionais da CAR-T pode ampliar a oferta do tratamento no futuro, mas por enquanto, o alto custo, a estrutura necessária e o número reduzido de centros especializados continuam limitando o acesso de muitos pacientes brasileiros.

Com informacoes de Olhar Digital.

Theodoro Augusto Martins

Sobre o Autor: Theodoro Augusto Martins

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