Meta lança atualização que interrompe gravação dos óculos quando LED é coberto
A Meta iniciou a distribuição nesta semana de uma atualização de software que desativa a câmera dos óculos de realidade aumentada assim que o LED indicador é coberto após o início da gravação. A medida elimina a possibilidade de iniciar a filmagem com a luz acesa e, em seguida, ocultá‑la para gravar sem que terceiros percebam.
Em comunicado enviado à imprensa nesta quinta‑feira (27), a empresa confirmou que a atualização já está sendo entregue aos dispositivos, embora ainda não esteja disponível para todos os usuários. Alex Himel, vice‑presidente de realidade aumentada da Meta, anunciou a mudança em publicação no Threads, afirmando que a correção está em fase de distribuição e que a câmera deixará de funcionar caso a luz seja encoberta durante a captura.
Até julho, os óculos já possuíam um mecanismo que desativava a câmera ao detectar adulteração física do LED, como a remoção da peça. Contudo, esse recurso não impedia a prática de iniciar a gravação com o LED ligado e cobri‑lo imediatamente com o dedo ou outro objeto – método que circulava em tutoriais nas redes sociais. A nova atualização amplia a proteção, interrompendo a gravação também nesses casos.
A Meta destacou que empresas que ofereciam serviços de remoção física do LED encerraram suas atividades após a atualização de julho. Um exemplo citado foi a Ghost Metas, que anunciava a remoção da luz em seu site e suspendeu o serviço após a decisão da Meta, conforme reportagem do USA Today de 21 de agosto. A porta‑voz Dina El‑Kassaby informou que a empresa também tem enviado notificações de cessar‑e‑desistir a quem altera o LED e tem removido anúncios e publicações que promovem tais serviços, reforçando que essas ações demonstram a eficácia das medidas adotadas.
Esta mudança ocorre em meio a um debate crescente sobre gravações não consentidas realizadas com os óculos. No Brasil, o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e a organização Coding Rights protocolaram nesta semana uma representação contra o dispositivo junto à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e ao Ministério Público Federal (MPF). As entidades solicitam investigação sobre a conformidade do produto com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o Código de Defesa do Consumidor, apontando que o pequeno LED pode passar despercebido, dificultando a percepção de terceiros de que estão sendo filmados.
Nos Estados Unidos, o uso dos óculos para gravar pessoas sem consentimento em vídeos de pegadinhas levou o Instagram a banir contas associadas a esse tipo de conteúdo, mantendo viva a discussão sobre os limites de privacidade em dispositivos vestíveis com câmera integrada. Como já mostramos em cobertura anterior sobre as iniciativas de IA da Meta, a empresa tem buscado equilibrar inovação tecnológica com responsabilidade social.
O Meta óculos de realidade aumentada pode ser encontrado no Mercado Livre.
Com informacoes de Canaltech.

