Taxas do Tesouro Direto caem após corte da Selic e aumento dos juros nos EUA

Por Ronaldo Batista Souza em Rio Verde, GO 17/09/2026 10:27
Taxas do Tesouro Direto caem após corte da Selic e aumento dos juros nos EUA

Foto: InfoMoney

Na manhã de 17 de setembro, as taxas do Tesouro Direto caíram com força, em consequência da decisão conjunta de cortar a Selic no Brasil e elevar os juros nos Estados Unidos.

No dia anterior, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 14,00% para 13,75% ao ano, marcando o quinto corte consecutivo e uma decisão unânime que já havia sido antecipada pelo mercado, como já mostramos em nossa cobertura de 16 de setembro.

Os títulos prefixados sofreram quedas de 11 pontos-base no 2037, de 14,30% para 14,19%; 9 pontos-base no 2032, de 14,24% para 14,15%; e 8 pontos-base no 2029, de 13,89% para 13,81%. Nos títulos indexados à inflação, o IPCA+ 2032 recuou de 7,68% para 7,61% (7 pontos-base); o IPCA+ 2050 e o IPCA+ com Juros Semestrais 2060 caíram 5 pontos-base cada, para 7,19% e 7,18%, respectivamente; e o IPCA+ 2040 caiu de 7,31% para 7,26% (5 pontos-base).

Rai Chicoli, estrategista‑chefe da Monte Bravo, destacou que persiste a preocupação do Copom com a desancoragem das expectativas de inflação, e que o balanço de riscos manteve assimetria para cima. Ela avalia que a continuidade da desaceleração da atividade e uma inflação mais favorável ainda permitem um corte na próxima reunião, embora esta ocorra logo após o segundo turno eleitoral, o que aumenta a incerteza.

Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, interpretou que a mensagem mais provável é que o ciclo de cortes chegou ao fim, ou está muito perto disso, devido à projeção de inflação do BC, ao cenário externo e por causa do cenário eleitoral. Trevisan pondera que a Selic segue alta, e recomenda cautela na renda fixa, com prazos curtos e disciplina no crédito privado, e reforça a importância de manter parcela do patrimônio fora do país. Levantamento da Ghia MFO mostra ganho maior em queda de juros do que perda em alta em ano de eleição, e diz que janela ainda está aberta – desde que prazos não sejam longos demais.

No cenário internacional, o Federal Reserve elevou os juros pela primeira vez desde julho de 2023, e o presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que a estabilidade de preços é a base do crescimento econômico e que a decisão representa “um passo importante” nessa direção, chegando a dizer que ela beneficia especialmente os americanos “menos favorecidos”, já que a inflação mais baixa preserva o poder de compra dos salários. Apesar da alta, os rendimentos dos Treasuries recuaram logo depois do anúncio, em ajuste de preços que já refletiam a decisão na véspera da reunião. Agentes avaliam que a postura firme de Warsh no combate à inflação tranquilizou os investidores quanto ao compromisso do banco central com a convergência ao redor da meta de longo prazo.

Veja as taxas do Tesouro Direto às 9h22 desta quinta-feira (17):

Com informacoes de InfoMoney.

Ronaldo Batista Souza

Sobre o Autor: Ronaldo Batista Souza

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