Tarifaço: Riscos e Ganhos da Reciprocidade com os EUA
O governo brasileiro, sob o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está intensificando discussões sobre como responder à tarifa adicional de 25% aplicada pelos EUA sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país. A medida, que entra em vigor na próxima quarta-feira, afetará setores como os de etanol, máquinas agrícolas e papel, apesar de uma extensa lista de produtos isentos, incluindo petróleo, café e carne bovina.
Na esteira desse anúncio, o vice-presidente Geraldo Alckmin adotou um tom de defesa da soberania, mencionando a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, mas sem anunciar respostas concretas até o momento. Especialistas ouvidos destacam que a reação do governo brasileiro não deve vir tão cedo, sugerindo um tom político duro, mas com cautela nas ações práticas, devido aos riscos potenciais.
Um dos principais receios é o impacto sobre os preços para os consumidores brasileiros, caso o governo opte por sobretaxar produtos americanos. Isso poderia encarecer parte das importações do Brasil, criando um efeito duplo negativo para o país. Além disso, a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica exige amplas análises sobre os impactos para o mercado brasileiro e passa por um processo longo, incluindo discussões na Câmara de Comércio Exterior, consulta pública e consultas com o governo dos EUA.
A Lei da Reciprocidade prevê outros instrumentos de resposta aos EUA, como a suspensão de regras de propriedade intelectual, a imposição de tarifas ou restrições sobre serviços prestados por empresas americanas, a suspensão de benefícios a investimentos de empresas dos EUA e a suspensão de benefícios em acordos comerciais. Especialistas ressaltam a importância de manter contrapartidas e proporções nas medidas adotadas, visando minimizar os efeitos sobre a economia brasileira.
Outro ponto de cuidado é a preocupação com uma eventual escalada nas tensões com a gestão de Donald Trump, que pode se irritar com a reação brasileira e responder com novas tarifas, como ocorreu na disputa entre China e EUA. Diante disso, especialistas apontam caminhos possíveis para o Brasil, incluindo negociação técnica, item por item, usar a reciprocidade como instrumento de pressão e atuar na chamada 'segunda mesa', pressionando empresas americanas, o Congresso e governos locais.
A ApexBrasil prepara um programa de diversificação de mercados para apoiar setores afetados pelas novas tarifas, com investimento de R$ 130 milhões, previsto para iniciar em agosto. A proximidade das eleições no Brasil e nos EUA também influencia a movimentação dos dois governos, sugerindo que as negociações devem se prolongar sem uma resposta concreta no curto prazo.
Com informacoes de G1 Agronegócios.

