Polinizadores são essenciais para preservar canelas-de-ema no Cerrado
Um estudo recente realizado pela revista Annals of Botany mostrou que a presença de polinizadores, como beija-flores e abelhas, é essencial para a formação de sementes saudáveis e a diversidade genética das canelas-de-ema no Cerrado.
Os pesquisadores analisaram 13 espécies de canela-de-ema que vivem lado a lado nos campos rupestres da Serra do Cipó, em Minas Gerais, uma das regiões com maior diversidade de plantas do Brasil.
As flores das canelas-de-ema são geralmente grandes, vistosas e apresentam tons que vão do branco ao roxo intenso, e possuem mecanismos evolutivos que favorecem a polinização cruzada, quando o pólen de uma planta é transportado por um animal até outra da mesma espécie.
O estudo revelou que os beija-flores, em especial o beija-flor-de-orelha-violeta e o besourinho-de-bico-vermelho, além de abelhas sem ferrão do grupo Meliponini, foram os principais polinizadores das canelas-de-ema.
Além disso, os pesquisadores encontraram que a floração das canelas-de-ema é estimulada pelo fogo em certas espécies, como a Vellozia alata e a Vellozia caruncularis, e que as chamas funcionam como um alarme biológico, fazendo as plantas produzir flores poucas semanas após os incêndios.
O estudo também alertou que contar apenas o número de frutos na árvore pode passar a falsa impressão de que a planta se reproduziu bem, mascarando a semente morta em seu interior.
A conclusão é direta: sem os pássaros e insetos, o “plano B” da planta não se sustenta no longo prazo, e o sumiço desses polinizadores no meio ambiente pode quebrar a ponte de material genético que conecta as populações de plantas, tirando delas a força evolutiva para resistir a transformações ambientais futuras.
Os campos rupestres sofrem com graves ameaças à sua conservação, embora sejam verdadeiras “fábricas de vida”, e a região enfrenta o avanço da mineração, mudanças drásticas no uso da terra e turismo desordenado.
“O gênero Vellozia é considerado vulnerável às mudanças do clima porque engloba um grupo de plantas características dos campos rupestres. Nosso estudo inclui quatro espécies de Vellozia consideradas como ameaçadas ou quase ameaçadas: V. alata, V. albiflora, V. glabra e V. patens”, alerta a pesquisadora Irene Gélvez-Zúñiga.
Portanto, o estudo oferece embasamento científico para políticas de conservação e proteção da flora ameaçada do Cerrado.
Com informacoes de Canal Rural.

