STF suspende julgamento sobre relatório da PF envolvendo Alexandre de Moraes após pedido de vista
Na terça-feira, 15 de setembro, o Supremo Tribunal Federal interrompeu a sessão que tratava da validade do relatório da Polícia Federal sobre o ministro Alexandre de Moraes, sem iniciar a análise de mérito acerca da possível abertura de investigação contra o magistrado.
Durante a reunião, os ministros consideraram uma questão de ordem apresentada conjuntamente por Gilmar Mendes e Flávio Dino, a qual propunha a reunião dos processos relativos ao caso, a redistribuição da relatoria por sorteio e a definição de prazo para manifestação da Procuradoria‑Geral da República.
O pedido de vista apresentado por Flávio Dino foi aprovado por maioria de quatro votos contra três, resultando na manutenção das análises separadas: uma sobre as condutas de Alexandre de Moraes em relação a Daniel Vorcaro e outra sobre a condução do relatório do caso Master por André Mendonça. O ministro que solicitou a vista dispõe de até noventa dias para devolver o processo ao plenário, prazo que se encerra em dezembro deste ano.
O debate na sessão foi marcado por divergências sobre a atuação da Polícia Federal e sobre a condução da própria reunião. A tensão aumentou quando André Mendonça solicitou o sigilo de relatórios da PF referentes às investigações do Banco Master. Um dos documentos revelou cinquenta e duas mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, encontros presenciais entre ambos e um contrato no valor de R$ 130 milhões firmado entre o banco e o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes.
Alexandre de Moraes acusou André Mendonça de realizar uma “liberação seletiva” dos autos e de omitir documentos, enquanto Mendonça negou a prática e afirmou que manteve sigiloso apenas o que era imprescindível para a preservação de investigações em curso e a proteção de dados de terceiros.
A disputa também abrangeu o acesso às provas extraídas do celular de Daniel Vorcaro. Moraes, juntamente com Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, requereu o acesso integral ao material. Após determinação de Zanin, a Polícia Federal confirmou, na segunda‑feira, 14 de setembro, a entrega de cópias digitais do acervo aos gabinetes dos três ministros. A PGR manifestou-se favoravelmente à ampliação do acesso.
Diante do impasse, o presidente do STF, Edson Fachin, optou por separar os processos. O caso que trata das mensagens entre Vorcaro e Moraes foi incluído na pauta do plenário a partir desta terça‑feira, enquanto as acusações de Moraes contra André Mendonça foram agendadas para 23 de setembro.
Não se trata da primeira vez que o caso Moraes‑Vorcaro ganha destaque no Supremo, conforme já abordado em matérias anteriores do portal, que analisaram a suspensão da investigação contra o ministro e as acusações cruzadas entre Gilmar Mendes, André Mendonça e Alexandre de Moraes.
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Com informacoes de G1 Política.

