STF analisa validade de provas e medidas contra a Polícia Federal no caso Banco Master
Uma sessão histórica do Supremo Tribunal Federal acontece nesta terça‑feira, 15 de setembro de 2026, em reunião extraordinária, na qual os ministros deverão enfrentar os desdobramentos de uma crise nas investigações do caso Banco Master, que colocou Alexandre de Moraes e André Mendonça em posições opostas e gerou decisões conflitantes sobre o comando da Polícia Federal.
O procurador‑geral da República, Paulo Gonet, comparece presencialmente à sessão, chamando atenção porque seu nome aparece nos elementos da investigação: segundo informações da PF, Daniel Vorcaro teria recebido mensagens atribuídas a Gonet e solicitado a Alexandre de Moraes que o acionasse para tentar impedir uma operação contra o Banco Master.
Às 10h38, o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, declarou que o Supremo atravessa um "período difícil de sua história" e enfatizou a necessidade de preservar a independência, a colegialidade e a autoridade do Tribunal. Fachin ressaltou que o julgamento deve se concentrar nos fatos e nas questões jurídicas, sem antecipar o mérito antes da análise da validade processual, afirmando que "não se julgam pessoas, julgam‑se fatos e questões jurídicas" e que a divergência é legítima, enquanto o confronto pessoal não deve prevalecer. O presidente destacou ainda que a decisão cabe ao plenário, solicitou sensatez, decoro e serenidade aos ministros e declarou aberta a análise da Pet 16.662.
Como relator da ação, Fachin apresentou relatório e a sessão será dedicada à Pet 16.662, que deverá enfrentar, de um lado, a validade da requisição e das provas que revelaram mensagens de Daniel Vorcaro encaminhadas a Alexandre de Moraes, e, de outro, as medidas adotadas por André Mendonça contra a cúpula da Polícia Federal. A controvérsia institucional ganhou destaque depois que Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor‑geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, enquanto, em outro processo, o ministro Flávio Dino ordenou a reintegração de ambos. Diante das ordens opostas, Fachin assumiu a relatoria, suspendeu as decisões e manteve Andrei e Almada nos cargos até manifestação do plenário.
Os atritos começaram quando Mendonça, então relator de procedimentos ligados à operação Compliance Zero, requereu à Polícia Federal informações sobre a rede de influência atribuída a Daniel Vorcaro. Em resposta, a corporação produziu relatório com base em dados extraídos do celular do ex‑banqueiro e identificou mensagens enviadas a Moraes. Mendonça separou esse material da investigação principal, retirou o sigilo das informações e determinou a autuação da Pet 16.662. A partir daí, o embate ganhou novos contornos: Moraes passou a questionar a condução das apurações e recebeu de Andrei Rodrigues relatórios sobre a atuação de Mendonça; Mendonça, por sua vez, alegou ter sido alvo de "monitoramento sistemático" pela inteligência da PF por mais de 30 dias e determinou o afastamento preventivo de Andrei e de Leandro Almada.
No dia seguinte, o ministro Flávio Dino ordenou a reintegração dos dois delegados, argumentando que a mudança na cúpula da corporação poderia comprometer investigações em andamento. Diante das ordens contrárias, Fachin assumiu a relatoria da Pet 16.662 e suspendeu temporariamente as duas decisões, mantendo Andrei e Almada nos cargos até que o plenário se pronuncie.
O ponto mais imediato da sessão é a decisão de Mendonça que afastou preventivamente os dois integrantes da cúpula da PF e impôs restrições à produção de relatórios de inteligência pela corporação. A medida foi fundamentada em seis relatórios encaminhados por Andrei Rodrigues a Moraes, que analisaram decisões judiciais, atos da advocacia pública e a atuação de delegados e agentes da própria PF. A cautelar chegou a ser submetida à 2ª turma, com os ministros Luiz Fux e Nunes Marques acompanhando Mendonça e formando maioria, mas o julgamento foi interrompido por pedido de vista de Gilmar Mendes.
Antes da deliberação, o plenário poderá ainda enfrentar uma questão preliminar sobre a validade da requisição que originou o relatório com informações envolvendo Moraes. A Procuradoria‑Geral da República sustenta que tanto o pedido feito por Mendonça à PF quanto, por consequência, o material produzido pela corporação são nulos. Segundo a PGR, ao determinar a identificação dos interlocutores de Vorcaro, Mendonça teria buscado elementos
Com informacoes de Migalhas.

