Scheila Carvalho: por que o lifting facial virou uma das cirurgias mais procuradas no Brasil?
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O Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de lifting facial, com 116.296 cirurgias realizadas em 2025, um aumento de 48,2% em relação a 2021, quando o país registrou 78.480 procedimentos, segundo levantamento da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS).
Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 103.678 operações no último ano.
Para a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o crescimento da procura também está relacionado a uma mudança nas expectativas de quem recorre à cirurgia. Pacientes mais maduros têm demonstrado maior interesse em envelhecer sem necessariamente esconder a própria idade, e técnicas que buscam resultados menos perceptíveis, como o deep plane facelift, ganharam espaço.
Essa tendência acompanha o conceito de "quiet beauty", que valoriza intervenções discretas e resultados que respeitam as características individuais. "Existe uma mudança clara na expectativa dos pacientes. Eles querem rejuvenescer, mas continuar parecendo eles mesmos. Isso significa respeitar as características individuais do rosto, a proporção entre suas estruturas e a própria identidade facial. O rejuvenescimento não deve apagar a história daquela pessoa", afirma o cirurgião plástico Paolo Rubez, também membro da SBCP.
Beatriz Lassance complementa: "Em vez de tentar transformar uma pessoa de 60 anos para que pareça ter 40, a proposta passa a ser melhorar a qualidade da aparência sem apagar os elementos que contam a história daquele rosto".
A cirurgiã plástica Flávia Bonato, membro da SBCP, acrescenta que o planejamento deve levar em conta as diferenças anatômicas de cada paciente, buscando recuperar estruturas que sofreram mudanças com o envelhecimento, sem descaracterizar a fisionomia.
Essa busca por naturalidade ajuda a desfazer a associação do lifting com a imagem de um rosto excessivamente esticado. Uma tração exagerada da pele pode deixar o rosto com aspecto artificial quando outras estruturas não são consideradas no planejamento, pois o envelhecimento não se manifesta apenas na superfície da pele, mas também na distribuição da gordura, na musculatura, nos ligamentos e até nas estruturas ósseas.
As abordagens cirúrgicas passaram a considerar diferentes camadas da face, em vez de se concentrarem apenas na retirada do excesso de pele. Uma das estruturas envolvidas nesse processo é o SMAS, camada que recobre a musculatura facial e tem papel importante na sustentação dos tecidos. Segundo Paolo Rubez, a compreensão dessas alterações contribuiu para a evolução do lifting, que passou a incluir o reposicionamento de estruturas mais profundas.
Nomes como deep plane facelift e lifting glow up aparecem com frequência nas conversas sobre rejuvenescimento facial, mas a nomenclatura não deve ser o principal critério na escolha da cirurgia. Para o cirurgião plástico Marcelo Rudy, membro da SBCP, as técnicas podem variar na forma de execução, nas estruturas trabalhadas e na associação com outros procedimentos, e a indicação depende das características e da necessidade de cada paciente.
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Com informacoes de O GLOBO.

