Satélite espião dos EUA explodiu no espaço após 40 anos na órbita da Terra – motivo ainda é desconhecido

Por Theodoro Augusto Martins em Rio Verde, GO 18/09/2026 14:25
Satélite espião dos EUA explodiu no espaço após 40 anos na órbita da Terra – motivo ainda é desconhecido

Foto: Olhar Digital

Um antigo satélite espião dos Estados Unidos, o USA 32, desintegrou-se inesperadamente a cerca de 775 km de altitude em 13 de setembro, 40 anos após seu lançamento. O evento foi confirmado por um aviso publicado no Space-Track, plataforma oficial do governo norte‑americano que reúne dados de rastreamento e catalogação de objetos espaciais, mas a causa da fragmentação ainda não foi determinada.

A desintegração ocorreu por volta das 21h13 UTC (18h13, horário de Brasília). O anúncio foi identificado no catálogo na quinta‑feira (17). O protagonista da história é o satélite USA 32, identificado pelo número 19460. Registros públicos indicam que ele foi lançado em 5 de setembro de 1988, a bordo de um foguete Titan II, e integrava uma missão ultrassecreta para monitorar radares soviéticos em órbita. O equipamento era usado para atividades de inteligência eletrônica e de sinais, conhecidas pelas siglas ELINT e SIGINT.

O USA 32 também fazia parte de uma série de satélites associada a nomes inspirados na atriz Farrah Fawcett. O objeto era conhecido como Farrah III e permaneceu em órbita por quase quatro décadas antes da fragmentação. Quando um satélite se fragmenta, sua estrutura se divide em vários pedaços que passam a seguir trajetórias próprias. Esses fragmentos podem incluir partes grandes o suficiente para serem detectadas e catalogadas, além de componentes menores, que podem permanecer temporariamente fora do alcance dos sistemas de rastreamento. Até o momento, não foi divulgada uma quantidade definitiva de fragmentos gerados pelo evento.

A Força Espacial dos EUA informou que os detritos rastreados estão sendo incorporados às análises rotineiras de possíveis aproximações com outros objetos espaciais. Segundo o aviso, nenhuma ameaça imediata foi identificada, embora, de acordo com o Spaceweather.com, outros equipamentos possam estar em perigo. A menos de 50 km de distância de onde o USA 32 se desintegrou encontram‑se mais de 200 satélites ativos.

“De fato, a fragmentação já foi confirmada por observadores independentes, mas ainda não se sabe exatamente o motivo. Pode ter sido um meteorito, uma colisão ou, de repente, um teste de sistemas anti‑satélites”, explica Marcelo Zurita, astrônomo, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon) e colunista do Olhar Digital.

O episódio é relevante porque o USA 32 estava em uma órbita relativamente alta, a aproximadamente 775 km da superfície. Nessa região, fragmentos podem permanecer por bastante tempo ao redor da Terra antes de perder altitude e reentrar na atmosfera. Além disso, a fragmentação de um objeto desse porte acrescenta novos detritos ao ambiente espacial e exige o acompanhamento de suas trajetórias. Cada pedaço que passa a ser rastreado pode representar um novo objeto a ser considerado nas avaliações de segurança de satélites e outras espaçonaves. Como dito, as informações disponíveis ainda são insuficientes para determinar o que provocou a destruição do USA 32. A identificação dos fragmentos e novas análises orbitais poderão ajudar a esclarecer como o incidente aconteceu.

Assim como a equipe da Claro Brasil que mantém satélites geostacionários a 36.000 km de altitude, a monitorização e correção de órbitas continuam sendo essenciais para garantir a segurança e funcionalidade de ativos espaciais em operação.

Com informacoes de Olhar Digital.

Theodoro Augusto Martins

Sobre o Autor: Theodoro Augusto Martins

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