São Paulo intensifica estratégia de asfixia financeira ao crime organizado e recupera bilhões em bens de luxo
Em maio deste ano, a movimentada Rua Brigadeiro Tobias, no centro de São Paulo, ganhou destaque ao receber quatro carros de luxo estacionados em frente ao Palácio da Polícia Civil; um dos veículos não é comercializado no Brasil e a soma dos valores foi estimada em ao menos 5 milhões de reais.
A apreensão fez parte de investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), considerado a "tropa de elite" do Ministério Público de São Paulo, em parceria com a Polícia Civil, que vinculou a influencer e advogada Deolane Bezerra à facção Primeiro Comando da Capital (PCC) em um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de 300 milhões de reais.
Entre os bens apreendidos, destacou-se um Cadillac Escalade 600 importado dos Estados Unidos, exibido nas redes sociais pela própria Deolane como "carro de gângster, muito louco"; a influenciadora está presa desde 21 de maio, após ser alvo da Operação Vérnix, uma das centenas de ações coordenadas nos últimos anos por Ministério Público, polícia e demais órgãos de Estado para "asfixiar" a máquina de dinheiro sujo do crime organizado.
Os números da ofensiva no maior estado da federação são expressivos: nos últimos três anos foram realizadas mais de 400 operações, totalizando 4.200 buscas e apreensões; essas ações resultaram na recuperação de 4 bilhões de reais por meio de condenações judiciais e, somente em 2025, o bloqueio de 45 bilhões de reais em ações e títulos de crédito, além de ativos em criptomoedas e moedas estrangeiras.
Além do dinheiro, a máquina criminosa utiliza bens de luxo como veículos, joias, relógios, roupas de grife, imóveis e embarcações para legitimar recursos ilícitos. Nesta edição, o Ministério Público confiscou um helicóptero modelo Robinson R66, avaliado em 10 milhões de reais, que era operado por um grupo criminoso responsável por lesar ao menos 2.000 pessoas. Outras apreensões recentes incluíram automóveis das marcas Porsche, Ferrari, BMW, Mercedes e Lamborghini, uma infinidade de relógios Rolex, bem como um iate de 23 metros apreendido em operação contra a estrutura financeira do PCC.
Especialistas descrevem a lavagem de dinheiro em três fases. A primeira, chamada de "colocação", consiste na inserção de recursos provenientes de atividades ilícitas – como tráfico, extorsão e roubo – no sistema econômico, momento considerado pelos investigadores como o mais propício para identificar esquemas fraudulentos. O promotor de Justiça Marcelo Blatouni Mendroni, doutor em direito pela Universidade Complutense de Madri, ressaltou em artigo da PUC‑SP que "as autoridades devem centrar o foco dos maiores esforços de sua investigação nesta fase da lavagem, pois quanto antes se detectar os esquemas, maiores serão as chances de sucesso". A segunda fase, a "ocultação", envolve transferências entre contas correntes, uso de empresas de fachada, pessoas fictícias, empréstimos simulados e movimentação para paraísos fiscais. Na etapa final, a "incorporação", os criminosos apresentam documentos aparentemente legítimos para justificar a compra de bens de alto valor, dificultando ainda mais a investigação.
A expressão "lavagem de dinheiro" tem origem controversa, mas a versão mais aceita associa o termo ao gângster ítalo‑americano Alphonse Gabriel Capone, conhecido como Al Capone, que teria utilizado lavanderias para inserir recursos ilícitos no mercado formal dos Estados Unidos. A crescente sofisticação desses esquemas tem exigido investimentos contínuos no combate ao crime organizado.
Nos últimos anos, o Gaeco‑SP ampliou o número de operações para c
Com informacoes de VEJA.

