Reforma Tributária: o que sua empresa deve implementar ainda em 2026
Em janeiro de 2026 iniciou‑se a fase de testes do novo sistema de tributação sobre o consumo, que exige que as companhias adequem seus sistemas e documentos fiscais eletrônicos para informar a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), observando o cronograma específico de obrigatoriedade aplicável a cada tipo de documento fiscal.
Segundo levantamento, 58% das organizações já se adaptaram às novas exigências, 8% encontram‑se em estágio parcial e 33% ainda não avançaram de forma significativa na adequação.
Para os optantes pelo Simples Nacional, a obrigatoriedade relacionada aos novos campos está prevista, em regra, para 2027. A alíquota de teste em 2026 é de 1%, distribuída em 0,9% de CBS e 0,1% de IBS. Esses valores podem ser compensados conforme previsto na legislação e, para os contribuintes que cumprirem corretamente as obrigações acessórias, a sistemática de 2026 não deve representar aumento de carga tributária.
Embora 2026 seja considerado um ano de testes, a falta de adaptação de sistemas, cadastros e processos internos dentro do cronograma aplicável pode colocar a empresa em desconformidade com as obrigações acessórias, sujeitando‑a às consequências previstas na regulamentação.
A análise da consultoria Qive indica que o ritmo de adequação varia conforme o perfil das empresas e o tipo de documento fiscal emitido. Entre as empresas obrigadas à adequação da NF‑e, o percentual de adesão total subiu de 74,7% em janeiro para 85,2% em março de 2026.
Quanto mais tardia for a adaptação, maior a dependência de suporte externo emergencial e maior o risco de erros de classificação fiscal, que geram retrabalho e autuações quando o período de tolerância termina.
Para mitigar esses riscos, recomenda‑se que as organizações atuem em três frentes: Técnica – verificar se o ERP ou sistema de emissão de notas está homologado para os novos campos de CBS e IBS e revisar, item a item, os códigos fiscais de produtos e serviços; Financeira – preparar o fluxo de caixa para o modelo de Split Payment, cuja implementação será gradual e tornará o recolhimento do imposto síncrono à venda, impactando empresas que utilizam o intervalo entre venda e pagamento do tributo como fonte de financiamento; Governança – criar um comitê interno reunindo as áreas fiscal, contábil, jurídica e de tecnologia para evitar decisões isoladas que possam gerar inconsistências.
O cronograma da reforma tributária se estende até 2033. Em 2027, PIS e Cofins serão extintos, a CBS passará a integrar efetivamente o novo sistema e o IBS será cobrado à alíquota de 0,1% em 2027 e 2028. A transição do ICMS e do ISS para o IBS começa de forma gradual em 2029 e termina em 2033, quando o novo modelo estará integralmente implementado.
Embora ainda haja tempo, grande parte do mercado tem desperdiçado esse período. Empresas que utilizarem 2026 para ajustar processos, revisar cadastros e capacitar equipes atravessarão a transição com previsibilidade. As que tratarem este ano como mera formalidade sem consequências sentirão o peso da mudança já em 2027, quando o impacto financeiro se tornará efetivo.
Com informacoes de Você RH.

