Recessão à vista? Estratégias para proteger seu dinheiro diante da possível crise econômica

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 24/08/2026 08:00
Recessão à vista? Estratégias para proteger seu dinheiro diante da possível crise econômica

Foto: via InfoMoney

Juros restritivos, inadimplência em alta e inflação ainda acima da meta são fatores que investidores brasileiros vêm antecipando para 2027, e agora o mercado também volta seu olhar para a atividade econômica, com temores de uma recessão no próximo ano.

O Boletim Focus, divulgado na segunda‑feira (17), registrou a quarta redução consecutiva na projeção de crescimento do PIB para 2027. No mesmo dia, o Banco Central informou que o IBC‑Br, prévia do PIB, encerrou o segundo trimestre com expansão de apenas 0,2%, contra 1,2% no trimestre anterior.

Diante de uma possível desaceleração maior que a esperada, especialistas consultados pelo InfoMoney apontam a renda fixa como principal alternativa, porém sugerem uma mudança de perfil dentro desse segmento: menos exposição a títulos atrelados à Selic e maior participação em prefixados de curto prazo e papéis indexados ao IPCA de prazo intermediário.

Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, explica que uma forte desaceleração reduziria os juros dos títulos com vencimento próximo, entre 2028 e 2029, porque “ali quem manda é o Copom”. Já a partir de 2031, a formação de preços passa a ser influenciada pela trajetória da dívida pública, o que pode inverter o efeito, elevando os juros dos papéis mais longos devido à menor arrecadação e maior pressão por estímulo fiscal. “Um dado ruim de atividade pode abrir a ponta longa da curva de juros em vez de fechá‑la”, afirma Trevisan.

Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital, concorda com a queda nos juros de curto e médio prazo, mas alerta que os títulos longos carregam risco fiscal, incerteza eleitoral e prêmio cambial, proteção exigida pelos investidores contra a variação do dólar. “Recessão ou desaceleração ajuda os juros, enquanto deterioração fiscal e eleitoral limita esse benefício”, comenta.

Em um cenário de recessão acentuada, Bruno Perri, economista‑chefe e sócio‑fundador da Forum Investimentos, prevê queda adicional nos ativos de risco, especialmente ações e fundos multimercado, mas não vê razão para abandonar a Bolsa, considerando a eleição presidencial como um fator binário.

Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, destaca que a desaceleração pode abrir espaço para novos cortes na taxa Selic e para uma reconfiguração da renda fixa. “Pode fazer mais sentido reduzir a exposição a ativos pós‑fixados e, gradualmente, aumentar a participação em ativos prefixados ou indexados ao IPCA”, sugere.

Sobre a escolha dos papéis, Trevisan recomenda reservar parte do patrimônio em títulos prefixados com vencimento de até quatro anos, onde o impacto da redução da Selic é mais direto. Ele considera os títulos intermediários pouco compensadores, citando as taxas: na sexta‑feira (21), o Tesouro Prefixado 2032 oferecia 14,61% ao ano, enquanto o de 2037 rendia 14,62%, diferença de apenas 0,01 ponto percentual por cinco anos adicionais. “Quando a curva está achatada, o investidor não é remunerado por alongar, apenas assume mais volatilidade de graça”, afirma.

Corano, por sua vez, descarta toda a classe prefixada no Brasil, afirmando que “dois anos são uma eternidade”.

Trevisan vê as taxas dos títulos IPCA+ como atrativas e sugere travar parte da carteira, mas alerta para um ponto técnico que costuma confundir investidores pessoa física. O Tesouro IPCA+ comum, sem juros semestrais, paga todo o rendimento apenas no vencimento, o que aumenta a oscilação de preço ao longo do tempo. Cada aumento de 100 pontos‑base na taxa real reduz o preço do título 2040 em cerca de 13% e o do título 2050 em mais de 20%. “Muitos acreditam estar comprando proteção contra a inflação, mas acabam adquirindo um dos ativos mais voláteis da renda fixa brasileira”, explica.

Um ponto‑base equivale a 0,01%, portanto 100 pontos‑base correspondem a 1% de alta na taxa, gerando perda para quem vende antes do vencimento. Trevisan considera confortável um intervalo de duration entre quatro e oito anos; para prazos mais longos, prefere títulos com juros semestrais, já que o cupom reduz o prazo médio e gera fluxo de caixa intermediário, permitindo reinvestimento caso as taxas subam.

Corano também não recomenda títulos de inflação de longo prazo, apontando risco de a inflação permanecer controlada enquanto os juros sobem devido ao risco percebido.

Com informacoes de InfoMoney.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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