Ex‑adjunta da SES afirma não ser "mulher da SES" de forma pejorativa após depoimento a portas fechadas
Em depoimento realizado a portas fechadas na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Secretaria Estadual de Saúde (SES) de Mato Grosso, a ex‑secretária adjunta Caroline Dobes, acompanhada do advogado Ricardo Monteiro, afirmou que não participou de licitações, compras ou pagamentos e que já foi inocentada pela Justiça.
Durante a oitiva, a investigada respondeu a 70 perguntas, segundo o presidente da CPI, deputado estadual Wilson Santos (PSD), e declarou que não deixou nenhuma pergunta sem resposta, ressaltando que as questões já haviam sido esclarecidas anteriormente perante outras autoridades.
Caroline explicou que documentos e provas apresentados ao Ministério Público, à Polícia Judiciária Civil e ao Poder Judiciário resultaram em decisões nas esferas estadual e federal que a retiraram de investigações e impediram que se tornasse ré, afirmando: "Das 70 perguntas, todas foram respondidas. Tudo que precisava ser respondido ou provado da minha parte foi apresentado judicialmente há muitos anos".
A ex‑secretária destacou que, desde 2023, convive com uma decisão que a excluiu da investigação, sem jamais ter sido processada, e que as provas apresentadas ao Judiciário comprovaram que não fazia parte dos processos investigados.
Caroline também contestou a forma como sua atuação na SES tem sido retratada publicamente, enfatizando que seu trabalho esteve relacionado à assistência à população, especialmente durante a pandemia da Covid‑19, citando o Centro de Triagem como projeto atribuído à sua gestão. "Eu não sou a mulher da SES de forma pejorativa. Se eu sou uma mulher da SES, sou a mulher que trabalha e que tirou grandes projetos assistenciais para salvar a população de Mato Grosso num momento crítico da pandemia", afirmou.
Após a oitiva, a investigada concedeu entrevista à imprensa, agradecendo a oportunidade de apresentar sua versão em um momento técnico, sóbrio e democrático, e ressaltou que nenhum ato de autoridade poderia ser considerado desnecessário em um processo tão sensível.
Wilson Santos explicou que o objetivo da CPI é reunir informações e documentos de pessoas investigadas e de testemunhas, e que Caroline participou da oitiva na condição de investigada. O deputado relatou que, ao final da sabatina, indagou se ela havia se arrependido de anunciar informações extras, mas que ela não trouxe nenhuma informação adicional.
Em relação a contratos sem licitação e possíveis enriquecimentos, o deputado destacou que Caroline declarou não ter participado de processos de licitação, compras ou pagamentos dentro da SES, afirmando que sua área era a administração e gestão dos hospitais regionais, enquanto a secretaria adjunta de licitações era responsável por essas atividades.
Antes da oitiva de Caroline, a CPI aguardava o depoimento do ex‑secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, que não compareceu. Wilson Santos considerou a ausência frustrante, lembrando que Gilberto havia, em abril, concedido entrevista dizendo estar pronto para prestar esclarecimentos e que, mesmo após convite oficial da presidência da CPI, não respondeu. O deputado também mencionou o habeas corpus apresentado por Gilberto ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso, cujo pedido foi indeferido, indicando que o ex‑secretário tem agido para não comparecer à CPI.
A comissão informou que, na próxima semana, aguardará os depoimentos de Gilberto Figueiredo e de Juliano Melo, mantendo o cronograma de investigações.
Com informacoes de O Livre.

