PT não terá candidato a governador no RS pela primeira vez na história
Pela primeira vez desde sua fundação, em 1980, o Partido dos Trabalhadores não terá candidato próprio ao governo do Rio Grande do Sul. Edegar Pretto, que representou o partido nas eleições de 2022 e não chegou ao segundo turno por 2,4 mil votos, será candidato a vice na chapa de Juliana Brizola (PDT) no pleito deste ano.
A decisão foi tomada em Brasília, em um acordo firmado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o dirigente nacional do PT, Edinho Silva, com o PDT de Carlos Lupi e o PSB de João Campos. A estratégia foi ter um palanque único para a campanha de Lula nos estados.
O PT gaúcho pretendia ter candidatura própria e lançou Edegar como o pré-candidato do partido. Em plena pré-campanha, o diretório estadual buscou negociar com os dirigentes da sigla e foi firme na posição de manter o petista como cabeça de chapa. O comando nacional não cedeu.
O PDT apoia candidaturas petistas em 12 estados, contando o Distrito Federal. Em troca, os pedetistas pediram apoios em dois estados — e a candidatura da neta de Leonel Brizola no Rio Grande do Sul era uma prioridade.
As negociações para a construção da aliança provocaram uma crise no PT gaúcho, que insistiu em ter candidato a governador e sofreu uma intervenção inédita do diretório nacional. No final das contas, pesou o interesse na reeleição de Lula.
“Em condições normais, o PT-RS apresentaria candidato próprio. Mas, como é do interesse do presidente Lula a aproximação com o PDT, e um dos estados que o PDT ainda tenha uma certa força é o RS, isso levou a essa aliança, ainda que a contragosto de algumas das lideranças do próprio PT estadual”, analisa Rodrigo Stumpf Gonzalez, cientista político e professor da UFRGS.
O PT já governou o Rio Grande do Sul em duas oportunidades, com Olívio Dutra (1999-2002) e com Tarso Genro (2011-2014), além de ter conquistado a prefeitura de Porto Alegre em quatro eleições seguidas, governando a capital gaúcha entre 1989 e 2004. O estado também foi uma das bases para o nascimento do partido, em 1980.
“O PT, desde 2018, quando foi derrotado nas urnas, começou a mudar parte da sua estratégia, e observou que, para conquistar a presidência, era preciso promover recursos em alguns estados, deixando de ter candidatos a governador e aplicando apoio a candidatos do espectro da esquerda”, explica Paulo Ramirez, cientista político e professor do curso de Ciências Sociais e do Consumo da ESPM.
Desde que Tarso Genro deixou o Palácio Piratini, o PT não passou mais do primeiro turno de uma eleição para governador. Já são duas eleições — 2018 e 2022 — vendo adversários de centro, centro-direita e direita disputando o segundo turno.
Neste pleito de 2026, a dobradinha PDT-PT desponta como uma das principais candidaturas da eleição gaúcha, segundo recentes pesquisas de intenção de voto, com chances de chegar até a etapa decisiva da eleição.
“No RS, o PDT tem um eleitorado mais ao centro, inclusive à centro-direita. Isso favorece, senão a possibilidade de vitória — que também é uma possibilidade real — um palanque para o presidente Lula no RS que tenha a atração de um eleitorado mais de centro, particularmente no interior do estado”, vê Gonzalez.
Os dirigentes do PDT e PT no estado celebram a decisão de um palanque único após rusga inicial, quando o Partido dos Trabalhadores rechaçava a proposta. “É muito importante essa visão que se criou na eleição a partir de um cenário nacional e que acabou se estendendo para o RS. A candidatura da Juliana é muito competitiva e o entendimento do PT, tanto nacional quanto local, foi de criar uma aliança com amplitude que vai do centro-esquerda até a esquerda. Essa amplitude dá uma enorme capacidade eleitoral e amplia os horizontes políticos”, afirma o presidente estadual do PDT e prefeito de Osório, Romildo Bolzan Junior.
Com informacoes de G1.

