Projeto de mudança constitucional e eleitoral pretende alterar mandato presidencial, STF e favorecer grupos ligados ao crime organizado
Existem projetos que visam transformar a forma de governar o Brasil entre o final de 2026 e o começo de 2027, em um cenário de economia difícil e política mergulhada no crime organizado.
Flávio Bolsonaro (PL) e aliados apresentam um plano, descrito como “mudar a Constituição para redemocratizar o país”, que busca proteger o centro‑direita do avanço da extrema‑direita e dos políticos digitais, além de propor alterações no Supremo Tribunal Federal (STF).
Essas mudanças deverão ser debatidas num momento em que a extrema‑direita pode assumir o governo federal e ganhar grande força no Congresso, o que poderia tornar o STF ainda mais partidário.
A extrema‑direita inclui grupos políticos associados ao crime organizado, e a elite no poder teria sido “comprada ou alugada” pelo gangster e cafetão Daniel Vorcaro.
Entre as propostas estão a duração do mandato presidencial com fim da reeleição, a passagem do sistema eleitoral proporcional para um modelo distrital misto, a definição de mandatos fixos ou idade mínima maior para ministros do STF, e a criação de um código de conduta que limite a “monocracia”, tudo firmado em lei.
Se eleito, Flávio Bolsonaro pretende encaminhar ao Congresso um projeto para estender seu mandato, sem especificar os termos. Ele afirma que deseja apenas abreviar sua permanência no poder, sem reeleição, embora sua trajetória seja marcada por negações de vínculo com Daniel Vorcaro e por renegação de ajustes fiscais.
Há temores de que o governo tente implementar um pacote de captura de poder inspirado em regimes autocráticos do século 21, como Hungria, Turquia ou Venezuela.
O centro‑direita, assustado com o sucesso da extrema‑direita e dos políticos digitais, planeja, desde 2025, implantar o voto distrital misto para deputados: metade seria eleita em distritos de tamanho semelhante dentro de cada estado, e a outra metade por listas partidárias, conforme a votação de cada partido. O projeto foi aprovado no Senado em 2017, mas ficou estagnado.
Tal modelo pode ser manipulado para favorecer correntes políticas específicas, representando uma virada rara no sistema político brasileiro. Historicamente, reformas desse tipo fracassam devido à inércia, ao gradualismo, a acordos e a transições negociadas, ou acabam resultando em golpes.
No próximo ano, o país deverá enfrentar baixo crescimento e grandes transições, como a reforma tributária e o fim da política fiscal 6x1, reformas que alguns atores desejam abortar. O Brasil ficará entre um ajuste fiscal conflituoso e estagnação ou tumulto econômico, aumentando o risco de crise, golpes ou contragolpes.
Parte relevante da coalizão da extrema‑direita mantém alianças ou cumplicidade com grupos ligados ao crime organizado, incluindo antigos laços com milicianos e assassinos. O grupo político de Flávio Bolsonaro (PL) está associado à turma de Cláudio Castro, ao governo corrupto que ele comandava e à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, bem como aos partidos PL e União Brasil. Também há conexões com o Comando Vermelho, outros traficantes e mafiosos.
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Com informacoes de Folha de S.Paulo.

