Projeção indica que 33% da população do Grande ABC terá 60 anos ou mais até 2050

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 01/11/2026 13:30
Projeção indica que 33% da população do Grande ABC terá 60 anos ou mais até 2050

Foto: via Diário do Grande ABC

De acordo com a Fundação Seade, os avanços na saúde que elevaram a expectativa de vida, combinados com a diminuição da taxa de natalidade, deverão modificar drasticamente o perfil demográfico do Grande ABC nas próximas décadas.

A projeção da instituição aponta que, em 2050, 33% da população regional – equivalente a 858.402 indivíduos com 60 anos ou mais – comporão o total estimado de 2,6 milhões de habitantes. Essa quantidade corresponde a 11 estádios Maracanã lotados.

Entre as sete cidades que integram o Grande ABC, o número de idosos deverá crescer em 328.639 até 2050, quase triplicando a população atual de Ribeirão Pires, que conta com 116.845 habitantes.

Em 2026, a parcela de moradores com 60 anos ou mais já corresponde a 19% do total, totalizando 529.763 pessoas. Essa cifra representa um aumento de 157% em relação ao número de crianças de 0 a 14 anos, que soma 334.070.

Marcelo dos Santos, coordenador dos cursos de Ciências Econômicas e Recursos Humanos da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), alerta que o Grande ABC – e o Brasil como um todo – precisam se readequar diante da transição demográfica em curso. Segundo o especialista, a mudança pode impactar a força‑trabalho tradicional e colocar em risco a expansão do Produto Interno Bruto regional, além de gerar desequilíbrio na Previdência, já que menos trabalhadores ingressarão no mercado.

Ele propõe que os municípios adotem estratégias para lidar com o envelhecimento da população, embora reconheça que o planejamento nas prefeituras do Grande ABC avança de forma lenta. As administrações ressaltam a infraestrutura já existente, como instituições de longa permanência e centros de assistência social, mas ainda apresentam poucas iniciativas voltadas às demandas futuras.

A Prefeitura de São Bernardo informa que está em discussão um estudo para mapear o perfil da população idosa, o que permitirá aprimorar os debates e as políticas públicas.

Em São Caetano do Sul, a gestão municipal destaca a implantação da Casa Dia da Pessoa Idosa e a criação de uma unidade de atenção médica especializada para esse público.

Santo André declara que as ações estão sendo estruturadas gradualmente, conforme a disponibilidade de planejamento e recursos orçamentários.

O vereador Santos (nome completo não informado) enfatiza a necessidade de evitar a estigmatização dos mais velhos e alerta para a chamada "economia prateada", que abrange setores como cuidados, saúde, turismo, lazer e serviços financeiros específicos para quem tem 60 anos ou mais. Ele ressalta que é preciso fugir da visão de que os idosos são um fardo e corrigir a ideia equivocada de que o envelhecimento representa um peso econômico e social.

Especialistas apontam que o processo de envelhecimento tem início antes dos 60 anos e requer cuidados de longo prazo. O professor Eduardo Ferriolli, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), afirma que os hábitos individuais influenciam cerca de 70% do modo como o envelhecimento se manifesta, afetando autonomia, saúde e qualidade de vida.

Ferriolli destaca que a disseminação de alimentos ultraprocessados e fast‑foods constitui um risco significativo para a saúde, favorecendo o surgimento de doenças crônicas, comorbidades e declínios físicos ou mentais que comprometem a independência dos idosos.

O médico também condena o tabagismo entre jovens e o uso de cigarros eletrônicos, apontando que a percepção de que esses dispositivos seriam mais saudáveis é equivocada, pois contêm contaminantes graves.

Segundo Ferriolli, envelhecer deve ser encarado como um privilégio e um direito, exigindo a prática regular de atividades físicas, alimentação balanceada e estímulo cognitivo.

Um exemplo de longevidade ativa é a história de Maria José Marques Silva, de 88 anos, residente em São Bernardo. Ela mantém uma rotina semanal de exercícios físicos iniciada antes dos 60, participa de competições de natação e atletismo representando a cidade e já acumulou 200 medalhas. Maria José, que também gosta de ouvir o noticiário no rádio, destaca a importância de acompanhar a família, menciona ter até tataraneta e incentiva seu filho, Eniuto Simoa da Silva, de 64 anos, a se movimentar mais, afirmando que não se vê como velha.

Com informacoes de Diário do Grande ABC.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

Cobre o que o Brasil está buscando agora: famosos, esporte, tech, games e virais.