Previdência complementar deixa de ser exclusividade de grandes empresas e passa a estar ao alcance de todos
Durante décadas, a participação em fundos de pensão fechados era privilégio de quem trabalhava em estatais, grandes bancos ou multinacionais que ofereciam o plano como benefício trabalhista. Para a maioria da população, a alternativa era a previdência aberta, comercializada por bancos e seguradoras, ou a montagem de estratégias individuais de investimento para a aposentadoria.
Os planos abertos, como PGBL e VGBL, foram concebidos para distribuição em massa e costumam ser utilizados como investimento comum, com vantagens tributárias ou para fins de sucessão patrimonial, no caso do VGBL. Em contraste, os fundos de pensão fechados contam com governança e gestão específicas para a aposentadoria, além de regras rigorosas de alocação, prestação de informações, resgate e pagamento de benefícios.
Nos últimos anos, o setor tem se reinventado para democratizar esse modelo. Surgiram os chamados planos instituídos, que trazem a estrutura dos fundos de pensão para pessoas sem vínculo empregatício com patrocinador. Advogados, por exemplo, podem aderir ao plano da OABPrev, e qualquer pessoa associada a cooperativas como Sicredi, Sicoob ou Ailos tem acesso aos planos previdenciários dessas entidades.
Dados da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) revelam a expansão desse segmento. Em 2010, existiam apenas 85 planos instituídos; atualmente, o número chegou a 207. O total de entidades instituidoras cresceu de 12 para 101 no mesmo período. Em termos de participantes ativos, eram cerca de 548 mil em 2019; em junho de 2026, esse número já ultrapassava 913 mil. O patrimônio acumulado também mais que dobrou, passando de R$ 12,6 bilhões para R$ 30 bilhões.
Embora ainda represente uma parcela pequena dentro do universo da previdência complementar fechada – que administra R$ 1,44 trilhão em ativos e reúne aproximadamente 8,4 milhões de participantes, dependentes e assistidos – a Abrapp considera os planos instituídos como uma das principais vias de crescimento do setor.
Historicamente, os fundos de pensão foram criados para complementar a aposentadoria pública (INSS) de trabalhadores vinculados a empresas ou órgãos públicos, operando por meio de planos patrocinados nos quais o trabalhador contribui regularmente e a empresa adiciona um percentual ao saldo.
Entretanto, uma parcela cada vez maior de trabalhadores brasileiros ficou fora desse modelo tradicional. Nesse cenário, os planos instituídos surgem como alternativa, mantendo a estrutura de entidades fechadas, mas eliminando a exigência de vínculo com patrocinador. O acesso ocorre via cooperativas, associações, conselhos profissionais, sindicatos e outras entidades de classe.
Uma pesquisa realizada pela Abrapp em parceria com o Instituto Ibero‑Brasileiro de Relacionamento investigou a percepção de trabalhadores informais e de plataformas digitais sobre a aposentadoria. Os resultados mostraram que 59% dos informais e 68% dos profissionais de plataforma (como motoristas e entregadores de aplicativos) não contribuem atualmente para o INSS, embora 77% dos informais e 70% dos platformers expressem preocupação com a falta de contribuição.
A Abrapp tem impulsionado esse movimento por meio da iniciativa “Previdência para Todos”, que reúne diferentes planos instituídos com o objetivo de ampliar o acesso aos fundos fechados. Na prática, isso permite que profissionais liberais ou autônomos se inscrevam em estruturas antes restritas a funcionários de grandes corporações.
Para aderir a um plano instituído, o interessado deve identificar se possui vínculo com alguma cooperativa, associação, conselho profissional ou entidade de classe que ofereça o plano, ou ainda buscar a associação a uma dessas organizações. Os maiores planos instituídos do país, listados em ranking setorial, exemplificam como esse processo funciona, detalhando requisitos e benefícios específicos para cada categoria.
Com informacoes de Seu Dinheiro.

