Policiais Federais Encontram Evidências de Lavagem de Dinheiro em Casa de Advogado
Os policiais federais que foram à casa do advogado Willer Tomaz, na última terça-feira (4), ficaram admirados com o que viram. É um casarão bem equipado, localizado no Lago Sul, o bairro mais rico de Brasília. Ao passar pela porta, depararam-se logo na entrada com uma comprida adega de vinhos, que vai do chão ao teto. No closet de um dos quartos, encontraram um mostruário climatizado de relógios, cada um submetido a uma temperatura específica.
Perto dali, no mesmo bairro, fica o escritório Willer Tomaz Advogados Associados – que, como o dono, está enrolado no escândalo do INSS. Os investigadores suspeitam que Willer lavava dinheiro para o senador Weverton Rocha (PDT-MA), e que parte dos valores provinham de desvios de aposentadorias e pensões.
Mas os policiais não se admiraram só com a riqueza de Willer. Desde o final do ano passado, estão em posse do celular de Weverton – e, analisando o material, encontraram uma foto que dá pistas da influência do advogado. A imagem mostra Willer mergulhado numa piscina no Rancho Tomaz, uma propriedade sua na cidade de Planaltina, a 80 km de Brasília.
No seu entorno, dentro e fora d’água, estão deputados e senadores de diferentes partidos – quase todos da direita e do Centrão –, apinhados, animados, com cervejas e drinques na mão. É possível identificar ao menos seis deles: Arthur Lira (PP), ex-presidente da Câmara dos Deputados, Alexandre Ramagem (PL), que dirigiu a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro, Juscelino Filho (PSDB), Elmar Nascimento (União), Paulo Azi (União) e, claro, Weverton Rocha.
A fotografia está registrada no rolo de câmera do senador com a data de 23 de abril de 2023 – um domingo, depois do feriado de Tiradentes. A viagem, de acordo com as informações da polícia, foi combinada em um grupo de WhatsApp intitulado “Grupo Seleto”, do qual participavam boa parte dos parlamentares que aparecem na foto.
Os objetos e móveis que decoram a casa são estilizados com as iniciais WT, de Willer Tomaz, em que o último traço do W forma a letra T. O advogado tem lanchas, jet skis e mesas para jogar poker. O inquérito aponta que empresas de Willer transferiram cerca de 11 milhões de reais para Samya Rocha, a mulher de Weverton.
A Polícia Federal, diante desses elementos, suspeita que Weverton e Willer tentavam “ocultar ou dissimular a origem” de dinheiro obtido ilegalmente. A hipótese foi apresentada na petição que a PF enviou ao ministro do STF André Mendonça, e que fundamentou a operação desta semana.
Durante muitos anos, Willer e sua mulher, Flávia Oliveira Correa Tomaz, levaram uma vida pacata nos arredores de Brasília. Tinham apenas uma loja de informática em Taguatinga, uma das regiões administrativas da capital. Era o suficiente para viver, mas sem luxos. Até que, em agosto de 2010, Willer criou o escritório de advocacia.
Com informacoes de revista piauí.

