Cadillac de R$ 3 milhões envolve ex-sócio da Fictor em suspeita de lavagem de dinheiro
Uma operação envolvendo um Cadillac Escalade 2025, avaliado em cerca de R$ 3 milhões, colocou Rafael Paixão, ex-sócio da Fictor, no centro de uma estrutura financeira que envolve uma empresa ligada a um preso pela Polícia Federal (PF) em investigações sobre lavagem de dinheiro de organizações criminosas e um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios).
Segundo documentos de um processo em tramitação na Justiça Federal de Santos, Paixão tenta reaver o veículo, bloqueado em uma investigação que envolve a Quadri, companhia que tem como sócia-administradora Clara Ramos de Souza Morgado, esposa de Rodrigo de Paula Morgado. Morgado apareceu recentemente em outra investigação da PF que apura o uso de uma concessionária de veículos de luxo para lavar recursos supostamente ligados a organizações criminosas.
Os documentos apresentados pelo próprio Paixão indicam que, antes da venda, o Cadillac pertencia à Quadri. Paixão afirma ter adquirido o veículo “de forma onerosa e de boa-fé”, por meio de contrato firmado com uma empresa intermediária. O pagamento teria sido dividido em 24 parcelas de R$ 125 mil.
Ao adquirir o veículo, direitos relacionados ao contrato foram cedidos ao Araguaia FIDC, administrado pela Planner e gerido pela Redwood. O veículo foi dado em garantia da operação por meio de alienação fiduciária.
A Planner contestou a interpretação inicial publicada pela reportagem de que a Quadri teria cedido os créditos e antecipado o recebimento das parcelas. Segundo a administradora, o termo de cessão identifica a empresa vendedora do veículo como cedente.
A instituição afirma que a Quadri não cedeu créditos, não antecipou valores e nada recebeu do fundo. O registro da operação no sistema B3/SNG, entretanto, informa o CNPJ da Quadri no campo “principal recebedor do pagamento”, em uma operação com valor principal de R$ 3 milhões.
A cessão de recebíveis, por si só, é comum no mercado de crédito estruturado. No entanto, os documentos do processo não permitem comprovar integralmente os pagamentos realizados, a origem do veículo e o contexto das investigações envolvendo pessoas ligadas ao negócio.
A documentação apresentada pela defesa também não permite reconstruir integralmente a movimentação dos cerca de R$ 3 milhões. Em vez dos 24 boletos e dos respectivos comprovantes de pagamento, foram anexadas apenas capturas de tela de três pagamentos.
A reportagem não conseguiu contato com Rafael Paixão e com a Quadri. A Planner não respondeu até a publicação.
É a segunda vez que a Fictor é envolvida em suspeitas de lavagem de dinheiro. O fundador da Fictor, Rafael Góis, foi alvo da primeira fase da Operação Fallax, realizada pela PF. Segundo a investigação, a Fictor teria atuado como núcleo financeiro responsável por irrigar empresas utilizadas para movimentar e ocultar recursos.
A PF também afirmou que mecanismos semelhantes de lavagem de dinheiro também teriam sido utilizados por integrantes de facções criminosas.
A Fictor afirmou, na época, que não tinha conhecimento de qualquer relação com a organização criminosa mencionada na investigação e disse que prestaria esclarecimentos após ter acesso aos elementos do inquérito.
Com informacoes de Money Times.

