Cientistas encontram 'cidade de peixes' escondida sob gelo da Antártida
Uma equipe de cientistas de instituições do Reino Unido conseguiu explorar uma extensa área do fundo do oceano no Mar de Weddell, após o gigantesco iceberg A-68 se desprendeu da plataforma de gelo Larsen C em 2017. Utilizando um veículo submarino operado remotamente, a equipe encontrou mais de mil ninhos de peixes espalhados pelo leito marinho.
Os ninhos consistem em áreas cuidadosamente limpas entre os sedimentos do fundo do oceano, onde os peixes depositam seus ovos. O que mais chamou a atenção dos pesquisadores não foi apenas a quantidade de ninhos, mas a forma como eles estavam distribuídos.
A equipe identificou seis padrões geométricos distintos de organização, sendo o mais comum o chamado agrupamento, responsável por cerca de 42% dos ninhos observados. Nesse formato, os ninhos ficam extremamente próximos uns dos outros e, em alguns casos, chegam a se tocar ou até se sobrepor.
Segundo os pesquisadores, essa organização parece estar relacionada principalmente à proteção contra predadores, e não às condições ambientais.
A descoberta dos padrões geométricos reforça a hipótese de que as interações entre os próprios animais, especialmente a pressão exercida por predadores, são responsáveis pela organização da colônia.
A espécie estudada, conhecida como yellowfin notie (Lindbergichthys nudifrons), pode atingir cerca de 19,5 centímetros de comprimento. Cada ninho pode conter milhares de ovos, que permanecem sob a guarda dos machos por até quatro meses.
Os cientistas acreditam que os agrupamentos oferecem vantagens importantes para a sobrevivência da prole. Além de vários machos protegerem simultaneamente as bordas da colônia, a grande concentração de ninhos pode dificultar que predadores localizem os ovos pelo cheiro.
A descoberta aconteceu durante busca por famoso navio. Durante a Expedição ao Mar de Weddell de 2019, realizada a bordo do navio SA Agulhas II, os pesquisadores também procuravam pelos destroços do Endurance, embarcação comandada pelo explorador britânico Ernest Shackleton, que afundou na região em 1915.
A descoberta reforça pedido de proteção ambiental. Os pesquisadores destacam que o Lindbergichthys nudifrons ocupa uma posição importante na cadeia alimentar da Antártida, tornando essas colônias fundamentais para o equilíbrio do ecossistema local.
Com informacoes de Olhar Digital.

