PM que quebrou protocolo e levou idosa baleada ao Hospital Miguel Couto afirma que decisão salvou vida
Rafael Novaes, integrante do programa Segurança Presente, recebeu alerta de uma mulher ferida em uma tentativa de assalto no bairro do Leblon e, a partir da base da equipe na Praça Antero de Quental, deslocou‑se em viatura junto a um colega até o local, a cerca de um quarteirão de distância.
Ao chegar, o sargento encontrou pessoas tentando conter o sangramento da vítima; um taxista havia improvisado um garrote usando um cadarço. Novaes percebeu rapidamente a gravidade da situação, observando que a mulher estava desorientada e perdendo muito sangue.
Contrariando o procedimento padrão que determina aguardar a chegada do Corpo de Bombeiros, Novaes decidiu colocar a vítima na viatura e levá‑la imediatamente ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, temendo um choque hipovolêmico que poderia levar à morte. “Como eu vi que ela estava meio desorientada e perdendo muito sangue, achei melhor levar para o hospital de imediato. Ela poderia ter um choque hipovolêmico e morrer”, declarou o policial, que tem 15 anos de serviço.
No trajeto, o policial conversou com a vítima, Tania Andrade Lima, para mantê‑la acordada, e entrou em contato com o marido da professora aposentada da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que pediu ao policial que falasse com o sobrinho da vítima.
Ao chegar à emergência, um profissional de saúde ajudou a colocar a vítima em uma cadeira de rodas, e a equipe médica assumiu o atendimento. No momento da chegada, Novaes ainda não tinha percebido que a arqueóloga havia sido baleada; ele estava mais impressionado com a quantidade de sangue.
Tania Andrade Lima foi atingida no braço esquerdo e no polegar da mão direita, e uma bala que atravessou o pescoço ficou alojada perto da coluna cervical. “Eu não imaginava que tinham sido três disparos, que tinham perfurado. Na hora, tudo o que vi era muito sangue. Achei que ela só tinha sido atingida por estilhaços”, recordou o policial.
O policial relatou que a aflição de salvar a vida da vítima o fez sentir como se estivesse ajudando um familiar, descrevendo a brutalidade do ataque: “Uma senhora de idade, uma brutalidade dessa que aconteceu, ser jogada no chão, ser alvejada, arrastada. Até vendo o vídeo você não acredita, pensa que foi armado.”
No Hospital Miguel Couto, o sargento Anderson, lotado no 23º BPM (Leblon) e com 24 anos de corporação, assumiu a ocorrência e permaneceu na unidade por cerca de duas horas e meia. Anderson encontrou Tania lúcida, porém muito agitada, identificou as três perfurações dos disparos, acalmou‑a, explicou o que havia acontecido e acompanhou os exames.
Conforme a arqueóloga se tranquilizava, ela conseguiu relatar o que lembrava do assalto e os objetos levados pelos criminosos, enquanto o sargento priorizava transmitir segurança diante da gravidade dos ferimentos.
Posteriormente, Tania foi transferida para a Casa de Saúde São José, no Humaitá, onde passou por cirurgia para retirar o projétil alojado no pescoço e reconstituir a mão ferida. Ela já recebeu alta e, em agradecimento, chamou o sargento Anderson de “meu anjo da guarda”.
A investigação do crime levou a polícia a apu
Suspeito morto em perseguição em Botafogo tinha 27 passagens pela polícia; carro passou por seis bairros em 1h22.
Com informacoes de O GLOBO.

