Planeta Rochoso com Atmosfera Detectada na Zona Habitável
Astrônomos anunciaram a primeira detecção direta de uma atmosfera ao redor de um planeta rochoso localizado na zona habitável de sua estrela, um feito considerado inédito e que representa um avanço importante na busca por mundos potencialmente capazes de abrigar vida.
O planeta, chamado LHS 1140 b, está a aproximadamente 48 anos-luz da Terra e, segundo uma nova pesquisa, possui uma atmosfera que contém hélio. Além de ser o primeiro planeta rochoso com atmosfera detectada diretamente, ele também é o primeiro desse tipo localizado na chamada zona habitável — região ao redor de uma estrela onde as temperaturas podem permitir a existência de água líquida na superfície.
Os pesquisadores afirmam que, entre os exoplanetas conhecidos, LHS 1140 b reúne mais características associadas à habitabilidade do que praticamente qualquer outro já observado. “Detectamos diretamente o hélio presente na própria atmosfera, e essa é a primeira detecção direta em qualquer exoplaneta rochoso, o que é muito empolgante… e ainda há o bônus de estar na zona habitável, o que é superempolgante para a astrobiologia, a habitabilidade e a busca por vida”, disse o principal autor do estudo, Collin Cherubim.
LHS 1140 b é um exoplaneta — um planeta localizado fora do Sistema Solar — descoberto originalmente em 2017 por uma equipe liderada pelo astrônomo Jason Dittmann, que também participa da nova pesquisa. Segundo Dittmann, foram necessários anos de observações até que os cientistas conseguissem confirmar a existência de uma atmosfera.
Embora ainda não seja possível determinar como é a superfície do planeta, a equipe considera que há uma boa possibilidade de existir água no planeta. Condições favoráveis para água líquida, pois LHS 1140 b orbita uma estrela anã vermelha, menor e mais fria que o Sol, e essa distância é suficiente para manter temperaturas compatíveis com a chamada “zona de Cachinhos Dourados”.
A confirmação da atmosfera teve origem em uma previsão teórica desenvolvida por Collin Cherubim durante seu doutorado. Segundo ele, tudo começou com um modelo matemático criado para estudar a evolução de planetas rochosos. A equipe utilizou o espectrógrafo Warm Infrared Echelle (WINERED), instalado no Observatório Magellan, no Chile, para testar a hipótese e identificar assinaturas químicas presentes nas atmosferas dos dois mundos.
A descoberta não confirma a existência de vida, mas os pesquisadores enfatizam que ela não significa que o planeta seja habitado. Futuras observações poderão identificar outros gases presentes na atmosfera e verificar se realmente existe água no planeta, contribuindo para responder a uma das perguntas mais antigas da humanidade: estamos sozinhos no Universo?
Com informacoes de Olhar Digital.

