Planeta recém‑nascido quebra recorde e oferece pista sobre formação de gigantes gasosos

Por Cosmo Ricardo Nunes em Rio Verde, GO 17/09/2026 21:07
Planeta recém‑nascido quebra recorde e oferece pista sobre formação de gigantes gasosos

Foto: Olhar Digital

Astrônomos confirmaram a existência de Elias 2‑24 b, o planeta mais jovem já identificado, com idade inferior a um milhão de anos e ainda girando dentro do disco de gás e poeira que envolve sua estrela hospedeira.

A descoberta foi feita a partir de observações arquivadas de diferentes observatórios e divulgada no periódico The Astrophysical Journal Letters.

Antes de Elias 2‑24 b, o recorde de planeta mais jovem era dividido entre quatro mundos: dois orbitando a estrela PDS 70 e dois ao redor da WISPIT 2, todos com mais de cinco milhões de anos.

“Os modelos de formação planetária já tinham dificuldades para explicar os recordistas anteriores. Elias 2‑24 b mostra que ainda deixamos de considerar processos importantes”, explicou Lucas Cieza, professor do Instituto de Estudos Astrofísicos do Chile e coautor do estudo.

Elias 2‑24 b tem massa aproximadamente equiparável à de Júpiter e orbita uma estrela situada a cerca de 450 anos‑luz da Terra, permitindo observar uma fase muito inicial da formação planetária.

A estrela ainda está cercada por um disco composto de gás, poeira, gelo e rochas — os mesmos ingredientes a partir dos quais os planetas se formam.

Os astrônomos observaram, nesse disco, uma lacuna pronunciada. Segundo os modelos, um planeta em formação pode abrir esse tipo de espaço à medida que orbita sua estrela.

“Os planetas deveriam ser encontrados dentro das lacunas, porque são eles que as esculpem. Foi exatamente onde encontramos Elias 2‑24 b”, detalhou Andrea Bernardi, doutorando da Universidad Diego Portales, no Chile, e líder da equipe responsável pelo estudo.

A pista da lacuna surgiu há cerca de dez anos, quando observações realizadas pelo ALMA, no Chile, identificaram um vazio no disco de poeira ao redor de Elias 2‑24. Posteriormente, o Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul, também no Chile, detectou um pequeno ponto de luz dentro dessa lacuna.

Na época, os modelos existentes indicavam que seria prematuro e distante demais para que um planeta do tamanho de Júpiter já tivesse se formado; eles previam cerca de cinco milhões de anos para a formação de um planeta jupiteriano na mesma distância que Júpiter tem do Sol (aproximadamente cinco vezes a distância Terra‑Sol). Quanto maior a distância, maior o tempo necessário.

Elias 2‑24 b, porém, está aproximadamente 55 vezes mais distante de sua estrela do que a Terra está do Sol e já apresenta características compatíveis com um planeta em formação, desafiando essas previsões.

Para confirmar se o ponto de luz correspondia realmente a um planeta, a equipe liderada por Bernardi buscou novas observações nos arquivos do Observatório W. M. Keck, no Havaí, encontrando o mesmo objeto em registros de 2018 e 2020. A combinação das imagens e a análise do deslocamento ao longo do tempo mostraram um movimento coerente com a órbita de um planeta, descartando falhas de imagem ou estrelas de fundo.

“Normalmente ouvimos falar de telescópios trabalhando separadamente, mas essa confirmação só foi possível usando vários telescópios em conjunto”, afirmou Bernardi.

A maior parte dos cerca de seis mil exoplanetas confirmados tem idades de bilhões de anos e orbita relativamente perto de suas estrelas, pois a técnica de trânsito — que detecta a diminuição do brilho quando o planeta passa à frente da estrela — é a mais utilizada.

Planetas recém‑nascidos, ainda imersos no material do disco e frequentemente em órbitas amplas, escapam facilmente a esse método, reduzindo as oportunidades de observar diretamente essa fase inicial.

“A galáxia produz continuamente novas estrelas e planetas, então existem muitos objetos em todos os estágios de evolução. Em teoria poderíamos observar todo o processo, mas há uma grande lacuna no que a maioria dos telescópios consegue detectar”, concluiu o estudo.

Com informacoes de Olhar Digital.

Cosmo Ricardo Nunes

Sobre o Autor: Cosmo Ricardo Nunes

Cosmo é o olho do MOTNAF.NEWS voltado pro infinito. De lançamentos da NASA e SpaceX a buracos negros, eclipses, missões a Marte e as descobertas que mudam nossa visão do universo, ele traduz o que rola lá em cima numa linguagem que qualquer terráqueo entende. Se aconteceu no espaço, o Cosmo já está de telescópio apontado.