Huawei lança chipset Kirin 9050 Pro com tecnologia LogicFolding e afirma independência dos EUA
A Huawei deu mais um passo na busca por reduzir sua dependência das tecnologias norte‑americanas ao revelar o Kirin 9050 Pro, um chipset avançado que, segundo a própria empresa, não incorpora componentes dos Estados Unidos. O novo processador equipa o Mate XT 2, terceira geração da linha de smartphones com duas dobraduras, que começou a ser comercializado na China em 12 de setembro.
O destaque do Kirin 9050 Pro é a estreia comercial da arquitetura LogicFolding, apresentada em maio por He Tingbo, chefe da divisão de semicondutores da Huawei, durante a conferência IEEE ISCAS em Xangai. A solução visa contornar a dificuldade chinesa de acompanhar os processos de fabricação mais avançados ao explorar o espaço vertical do chip, organizando circuitos em dois níveis de silício e criando cerca de 50 milhões de ligações com espaçamento aproximado de 1,5 micrômetro entre cada conexão. Essa proximidade reduz o consumo de energia e aumenta a densidade de componentes em uma área menor.
Embora a Huawei afirme que o Kirin 9050 Pro não utiliza tecnologia americana em seu design, a empresa não revelou em qual processo de fabricação o chip foi produzido. Uma desmontagem do modelo anterior, realizada pela SemiAnalysis, identificou o uso do processo N+3 da SMIC, baseado em 7 nanômetros, sem litografia EUV. A SMIC, principal fabricante chinesa de semicondutores, ainda depende de equipamentos de litografia da holandesa ASML, além de máquinas americanas adquiridas antes do endurecimento das restrições de exportação dos EUA. Assim, a ausência de tecnologia americana no design não elimina completamente a presença de equipamentos estrangeiros na cadeia produtiva.
A estratégia de independência da Huawei não é nova. Em 2019, análises do Mate 30 Pro já apontavam a eliminação de componentes americanos, embora o chip Kirin 990 desse aparelho fosse fabricado pela TSMC, que dispõe das tecnologias de litografia mais avançadas. As restrições subsequentes forçaram a Huawei a reforçar a parceria com a SMIC e a desenvolver técnicas próprias, como o LogicFolding, para manter competitividade no segmento de smartphones premium.
Como já cobrimos em nossas publicações recentes, a Huawei continua a lançar produtos que desafiam as limitações impostas pelos EUA, como a recente redução de preço da pulseira inteligente Huawei Band 11 Pro. O Kirin 9050 Pro demonstra o avanço da empresa na substituição de componentes e processos, embora ainda haja etapas da fabricação vinculadas a fornecedores internacionais.
Com informacoes de Canaltech.

