PL conquista primeira bancada de mais de 100 deputados desde 1998
O Partido Liberal (PL), liderado pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, tornou‑se a primeira sigla a eleger mais de 100 deputados federais em 28 anos, alcançando 121 assentos na Câmara a partir de 2027.
Esse número representa um acréscimo de 22 cadeiras em relação ao legislativo de 2022 e corresponde a 23,6% da Casa, superando o recorde anterior do PFL – que posteriormente se transformou em DEM, se fundiu com o PSL e passou a integrar a União Brasil – que havia conquistado 105 representantes em 1998.
Nos três pleitos anteriores, a maior bancada pertencia ao PMDB (hoje MDB), que chegou a ocupar 260 cadeiras em 1986, logo no início da redemocratização.
O primeiro turno das eleições gerais de 2026 ocorreu no domingo, 4 de outubro, e o PL consolidou a maior bancada, seguido pelo PT com 70 deputados e a União Brasil com 46.
Com a nova composição, a capacidade de acesso a recursos como o Fundo Eleitoral e o Fundo Partidário aumenta significativamente, permitindo ao PL ampliar o financiamento de candidaturas e sua estruturação para as próximas disputas, inclusive as eleições municipais de 2028.
A direita e o Centrão, historicamente fragmentados entre várias siglas, observam agora uma concentração maior de assentos. Caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), partidos de centro com posições conservadoras podem reforçar ainda mais esse bloco, que já soma 276 deputados.
No Senado, o PL obteve 19 das 54 vagas em disputa, totalizando 28 cadeiras ao somar os mandatos de quatro anos já existentes. Essa será a maior bancada do partido na Casa Alta neste século, superando a marca de 29 senadores do PMDB em 1999.
Dos 81 senadores que iniciarão suas funções em 2027, 49 são alinhados à direita, incluindo os 28 do PL. Essa nova configuração influencia a disputa pela presidência do Congresso, na qual Davi Alcolumbre (União Brasil‑AP) busca a reeleição. Alcolumbre, que recentemente fez acenos ao presidente Lula e provocou reações entre bolsonaristas, pautou, na sexta‑feira, 2 de outubro, a PEC que encerra a escala 6 × 1, prioridade do governo. Em outra ocasião, defendeu Alexandre de Moraes nas discussões sobre as conversas do magistrado com Daniel Vorcaro, lembrando a solicitação de R$ 130 milhões feita por Flávio Bolsonaro a um banqueiro para patrocinar o filme “Dark Horse”, biografia de seu pai, como indireta ao senador que liderou o primeiro turno.
Em termos de votação, Lula perdeu 3,4 milhões de eleitores nos últimos quatro anos, enquanto Flávio Bolsonaro ganhou 5 milhões. No primeiro turno, Flávio venceu em 16 capitais, Lula em 11, e o candidato do PL conquistou a maioria dos votos em 14 estados mais o Distrito Federal, enquanto Lula liderou em 12 estados.
Dos 54 senadores eleitos, 16 declararam-se pardos; nenhum se identificou como preto. O PL foi o partido que mais governadores elegeu no primeiro turno, enquanto a chamada terceira via novamente não ultrapassou a marca de 3 % de votação. A abstenção no primeiro turno foi de 21,08%, a maior desde 1998.
Com a nova configuração, a direita deverá dominar a Câmara e o Senado a partir de 2027, enquanto a União Brasil registra redução de cadeiras. A Câmara terá 183 deputados novatos, a menor renovação desde 2002, e registrará o menor número de partidos desde então, porém alcançará recorde de representação feminina a partir de 2027.
Com informacoes de Poder360.

