PGR contestará relatório da PF e pedirá anulação de investigação envolvendo Alexandre de Moraes no caso Banco Master

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 14/09/2026 12:40
PGR contestará relatório da PF e pedirá anulação de investigação envolvendo Alexandre de Moraes no caso Banco Master

Foto: via Poder360

Mesmo citado em investigação, o procurador‑geral da República, Paulo Gonet, defenderá, no dia 15 de setembro, que o relatório da Polícia Federal utilizado pelo ministro André Mendonça é irregular e que a abertura de investigação sobre a menção ao ministro Alexandre de Moraes no caso Banco Master deve ser anulada.

Gonet participará da sessão marcada para 15 de setembro e sustenta que a decisão de Mendonça de investigar conversas entre Moraes e o empresário Daniel Vorcaro extrapolou competências, devendo ser anulada. Ele afirma que a medida ultrapassou a atribuição do ministro ao determinar diligências contra pessoas específicas sem pedido do Ministério Público ou iniciativa da Polícia Federal.

O procurador‑geral está citado no mesmo relatório que levou Mendonça a solicitar a análise do caso pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. Contudo, Gonet optou por recorrer às vias internas do Conselho Superior do Ministério Público Federal para esclarecer a citação ao seu nome. O processo encontra‑se em fase de procedimento preliminar, sob a relatoria do subprocurador‑geral Francisco Sanseverino.

Na sexta‑feira, 11 de setembro de 2026, Gonet, por meio de portaria interna, designou o vice‑PGR Hindemburgo Chateaubriand e mais dois subprocuradores‑gerais da República – Antonio Edílson Teixeira Magalhães e André de Carvalho Ramos – para “colaborar” nas investigações do Banco Master.

O procurador‑geral tem adotado postura crítica em relação à condução de Mendonça no caso. No sábado, 12 de setembro, defendeu que todos os dados do celular de Daniel Vorcaro sejam enviados aos demais ministros. Mendonça rebateu, no domingo, 13 de setembro, alegando risco de tumultuar o julgamento marcado para 15 de setembro.

Na sessão, Gonet sustentará que a investigação é nula por duas razões: (i) Mendonça teria determinado diligências contra pessoas específicas sem solicitação do Ministério Público ou iniciativa da Polícia Federal; (ii) uma investigação contra ministro do Supremo Tribunal Federal dependeria de autorização do Plenário da Corte e deveria ser encaminhada à Presidência do tribunal.

Persistem indefinições sobre o rito do julgamento. Há pressão de uma ala de ministros próxima a Moraes para que a sessão seja secreta, embora Mendonça tenha pedido que seja pública e transmitida pela TV Justiça. O ministro Gilmar Mendes defende adiamento, alegando falta de “maturidade” para julgar o processo. O presidente do STF, Luiz Edson Fachin, ainda não definiu como conduzirá a sessão, mas assumiu a relatoria do caso Moraes‑Vorcaro e suspendeu momentaneamente as investigações do Master e das fraudes do INSS.

Até o momento, a imprensa recebeu autorização apenas para credenciamento e acesso aos setores externos do tribunal; a entrada no plenário não foi confirmada.

No sábado, 12 de setembro, em comum acordo com Mendonça, Fachin assumiu a relatoria do caso Moraes‑Vorcaro, conduzindo dois pedidos que podem ensejar investigações contra ministros: o caso Moraes e o caso Master. O processo foi aberto a partir de informações encontradas pela PF no celular de Daniel Vorcaro que citam Alexandre de Moraes e pessoas próximas ao ministro, incluindo contrato milionário do Banco Master com o escritório de advocacia da família de Moraes. O julgamento está previsto para 15 de setembro; já há pedido de investigação por abuso de autoridade baseado em relatório de inteligência da PF que aponta possível interferência do relator dos casos do Master e do INSS, com julgamento marcado para 23 de setembro.

Na quinta‑feira, 9 de setembro, o presidente do STF, Edson Fachin, em resposta conjunta às decisões de Mendonça, Moraes e do ministro Flávio Dino na crise envolvendo possíveis investigações de ministros, determinou: marcar o julgamento do caso Moraes‑Vorcaro; suspender a decisão de Mendonça que afastou o diretor‑geral da Polícia Federal na terça‑feira, 8 de setembro; suspender a decisão de Flávio Dino que recolocou Andrei Rodrigues na chefia da PF na quarta‑feira, 9 de setembro; retirar de Alexandre de Moraes a relatoria do inquérito das fake news. “Quando notícias e fatos aventados possam lançar dúvida sobre a higidez de seu funcionamento, é dever e de interesse de todos e de cada um dos membros deste Tribunal esclarecer o que se passou e, no limite, imputar responsabilidades”, declarou Fachin.

A crise teve início em 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça tornou público um relatório da Polícia Federal que reunia informações sobre conversas envolvendo o fundador do Master, Daniel Vorcaro, e citações ao ministro Alexandre de Moraes. A apuração também identificou contratos milionários com o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, e conversas relacionadas às investigações sobre o banco. Mendonça pediu que Fachin levasse o caso ao plenário. Em 3 de setembro, Moraes contra‑atacou ao apresentar um pedido para investigar Mendonça por “abuso de autoridade”, usando o inquérito das fake news e citando um “relatório de inteligência” contra o colega para afirmar que este teria direcionado a investigação.

Com informacoes de Poder360.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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