Grupo de ministros liderado por Alexandre de Moraes tenta bloquear julgamento das mensagens com Vorcaro
Um grupo de ministros do Supremo Tribunal Federal, formado por Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino, está organizando uma série de questionamentos preliminares com o objetivo de barrar o julgamento das 52 mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Vorcaro.
Segundo levantamento da coluna, foram identificados pelo menos sete pontos que deverão ser levados à sessão, entre eles o formato da deliberação – se a votação ocorrerá em sessão aberta, como pretende o presidente do STF Edson Fachin, ou em sessão fechada, desejada pelos aliados de Moraes – e o quórum necessário para autorizar a abertura de investigação, que pode ser de dois terços ou simples maioria do plenário.
Na lista de questões preliminares, a prioridade recai sobre o tipo de sessão, pois uma votação secreta poderia favorecer a persuasão de ministros mais suscetíveis a pressões externas, como a ministra Cármen Lúcia.
Outra linha de ataque busca a exclusão do julgamento de ministros que, segundo fontes internas, tendem a votar pela abertura do inquérito. Assim, foram incluídos pedidos de suspeição contra o ministro André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, nomes que aparecem em conversas extraídas do celular de Vorcaro. Zanin e Gilmar Mendes têm apresentado despachos exigindo a íntegra das mensagens para fundamentar os pedidos de suspeição e, ao mesmo tempo, constranger os colegas.
O caso ganha ainda mais complexidade porque, em 15 de novembro de 2025, Vorcaro enviou a Moraes a pergunta: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Dois dias depois, na segunda‑feira seguinte, o ex‑banqueiro foi detido no aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar para Dubai.
Existe a possibilidade de ser apresentado um pedido de vista, medida que poderia suspender o julgamento por tempo indeterminado. Enquanto isso, a estratégia do grupo inclui ainda questionar a licitude das provas colhidas e o parecer do procurador‑geral da República, Paulo Gonet, que defendeu o arquivamento do relatório policial sobre as conversas.
Gonet aparece citado no relatório e tem sido pressionado por colegas do Ministério Público Federal para não intervir no caso. Paralelamente, o grupo pretende que o processo envolvendo Moraes seja julgado conjuntamente com o pedido de investigação contra André Mendonça, buscando equiparar as condutas dos dois magistrados; a análise conjunta já foi recusada.
Outros elementos que circulam no debate incluem a empresa de Vorcaro que contratou a mulher de Moraes por R$ 50 milhões e foi condenada por fraude pela CVM, além de um fundo de advogado de Eduardo Bolsonaro que permaneceu inativo por quase quatro anos antes de receber o primeiro repasse.
Na esfera cultural, a PF revelou que Vorcaro teria se encontrado com Flávio Bolsonaro antes de enviar áudios cobrando dinheiro para a empresa “Dark Horse”. O plano de negócios da Dark Horse previa superar a bilheteria recorde de “Minha Mãe é uma Peça 3” em mais de três vezes.
Uma fonte próxima das discussões afirmou que “ninguém sabe quem vai poder votar na terça‑feira”, indicando que o desfecho do julgamento dependerá da pressão da opinião pública até a data da votação.
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Com informacoes de O GLOBO.

