Pesquisa eleitoral mede o presente e não prevê o futuro, defende especialista

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 16/10/2026 10:00
Pesquisa eleitoral mede o presente e não prevê o futuro, defende especialista

Foto: via O GLOBO

Pesquisas eleitorais não devem ser avaliadas como previsões do resultado das urnas, mas como medições das preferências do eleitorado em um determinado período. A avaliação é de João Francisco Meira, coordenador do Conselho de Opinião Pública da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) e diretor do instituto Vox Populi, que critica a prática de comparar a última pesquisa divulgada com o placar final das urnas.

Segundo o especialista, os levantamentos apresentam intervalos estatísticos, e não números exatos. Nenhum instituto afirma que um candidato terá determinado percentual final; a afirmação correta é que, caso a eleição ocorresse naquele momento, um candidato tenderia a receber uma faixa de votos. Quando os números da véspera diferem do resultado oficial, isso não significa necessariamente erro metodológico, pois os eleitores podem mudar de opinião, decidir não votar, aderir ao voto útil ou fazer uma nova escolha até o dia da votação.

A eleição estadual do Rio de Janeiro, a mais observada até o momento, ilustra o ponto. Na véspera do primeiro turno, as pesquisas apontavam a mesma ordem de chegada, com vantagem de 8 a 9 pontos para o primeiro colocado e resultados convergentes entre os institutos. Os próprios levantamentos, contudo, indicavam alta instabilidade: quatro em cada dez eleitores ainda estavam indecisos na pergunta espontânea, um em cada cinco admitia mudar o voto e 65% diziam ter pouco ou nenhum interesse na disputa. Os institutos já haviam alertado, dias antes, que a última semana seria decisiva, sobretudo no Rio, e que um terço dos eleitores ainda estava indeciso.

As pesquisas também registravam movimentos de tendência. Com a aproximação da votação, cresceu o eleitorado bolsonarista, enquanto Eduardo Paes perdia intenções de voto e Douglas Ruas avançava à medida que os eleitores o associavam ao candidato de Flávio Bolsonaro. Na véspera, foi registrada uma virada na disputa pelo Senado, indicando a força dos dois candidatos bolsonaristas que venceram.

O texto também relembra um episódio controverso deste ano, quando o TSE chegou a cogitar a criação de um 'selo de acurácia' para premiar os institutos cujas pesquisas mais se aproximassem do resultado eleitoral. Para o autor, a ideia transformaria levantamentos de opinião em um concurso de prognósticos. Após alertas de institutos, especialistas e organizações da sociedade civil, a proposta foi abandonada.

Meira ressalta que é legítimo discutir métodos, questionar resultados e investigar possíveis limitações das pesquisas, prática que os institutos sérios adotam continuamente. Porém, o debate só é produtivo quando parte da premissa correta: urnas contabilizam votos já decididos, enquanto pesquisas capturam preferências de um eleitorado ainda em movimento. Nas palavras do especialista, não se deve exigir de um termômetro que antecipe a febre de amanhã, mas que meça corretamente a temperatura de hoje.

Com informacoes de O GLOBO.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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