New York Times denuncia interferência de Trump no Brasil como “passado intrometido e contraproducente”

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 27/10/2026 18:20
New York Times denuncia interferência de Trump no Brasil como “passado intrometido e contraproducente”

Foto: via O GLOBO

O New York Times publicou um editorial afirmando que a política externa do ex‑presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está retornando a um passado de intromissão que gera efeitos contraproducentes para os interesses americanos.

De acordo com o jornal, nos últimos dois anos Trump ou membros de seu gabinete declararam apoio a candidatos em sete países – Argentina, Colômbia, Honduras, Hungria, Israel, Japão e Polônia – e, em alguns casos, recompensaram seus aliados com políticas favoráveis ou impuseram sanções a governos adversários.

No Brasil, o caso foi apontado como exemplo principal. Embora Trump nunca tenha apoiado formalmente o senador Flávio Bolsonaro (PL), o Times reconhece que medidas adotadas pelos EUA favoreceram o filho mais velho do ex‑presidente Jair Bolsonaro.

Entre as ações citadas estão a imposição, a partir de 2025, de tarifas de 50 % sobre a maioria dos produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos, bem como sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, responsável pelo julgamento do ex‑presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No último domingo, os eleitores brasileiros decidiram pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um mandato de quatro anos, derrotando o senador Flávio Bolsonaro (PL), que não recebeu apoio oficial de Trump.

Parlamentares democratas dos EUA acusaram o governo americano de conduzir “campanha sustentada e multifacetada de interferência e desestabilização no Brasil”, argumentando que a prática viola a soberania dos eleitores brasileiros e transmite a ideia de que os americanos sabem melhor o que é benéfico para o país.

O editorial do New York Times afirma que essa intromissão “prejudica a causa da democracia e os interesses nacionais dos Estados Unidos”, classificando a interferência em eleições de um Estado democrático como antidemocrática, já que os americanos não fazem parte do eleitorado brasileiro.

O texto ainda sustenta que a estratégia de Trump enfraquece a posição internacional dos EUA, ao favorecer políticos de extrema‑direita com tendências autocráticas e ao usar o poder econômico para recompensar aliados e punir adversários.

Pesquisas do Pew Research Center citadas pelo jornal mostram a queda da preferência por Estados Unidos em relação à China na América Latina. Em 2014, a maioria dos habitantes do Brasil, Chile, Colômbia e México tinha opinião mais favorável aos EUA; na primavera deste ano, a vantagem americana desapareceu no Brasil e a China já liderava nos demais três países.

Na conclusão, o Times alerta que a influência global americana depende da capacidade de seus líderes defenderem os ideais democráticos; ao desprezar esses princípios e priorizar interesses próprios, Trump compromete tanto outros países quanto o próprio poder dos EUA.

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, de 81 anos, também recebeu destaque nas páginas do New York Times. A capa do jornal deu amplo espaço ao resultado brasileiro, e o artigo “Reeleição do presidente Lula impede progresso da direita na América Latina” analisou as repercussões regionais.

O portal GLOBO disponibiliza ferramentas de acompanhamento da eleição de 2026, incluindo “Resultado Eleições 2026” com percentuais e quantidade de votos dos candidatos, o “Mapa das eleições” que mostra a votação no segundo turno por estado, e a “Apuração Eleições 2026” em tempo real.

Dados do GLOBO apontam que a eleição brasileira registrou a menor taxa de abstenção em duas décadas, enquanto o número de votos brancos e nulos atingiu o menor nível do século.

Com informacoes de O GLOBO.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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