Navio-hospital italiano Po, afundado na Albânia em 1941, vira recife artificial repleto de vida marinha
O navio‑hospital italiano Po, com 135 metros de comprimento, foi afundado na costa da Albânia na noite de 14 de março de 1941 após ser atingido por um torpedo disparado por um bombardeiro britânico Swordfish.
Na ocasião, a embarcação evacuava soldados italianos feridos pela Baía de Vlora; o impacto provocou o naufrágio em aproximadamente dez minutos, causando a morte de 23 das 240 pessoas a bordo, entre elas três integrantes da Cruz Vermelha italiana.
Entre os sobreviventes estava Edda Ciano, filha do ditador Benito Mussolini.
Embora o direito humanitário internacional exigisse que navios‑hospital fossem pintados de branco com cruzes vermelhas e iluminados à noite, o Po navegava com as luzes apagadas para não atrair a atenção de outras embarcações ancoradas na baía.
O casco repousa a cerca de 35 metros de profundidade, a menos de 1,6 km da costa, e integra a Área Marinha Protegida de Karaburun‑Sazan.
Mesmo após mais de oito décadas submerso, o Po apresenta estado de conservação surpreendente: azulejos de cerâmica ainda revestem as paredes dos banheiros, ventiladores permanecem pendurados nos tetos e mesas de teca estão perfeitamente alinhadas no convés de comando.
Para mapear a integração da estrutura com o ecossistema sem danificar o metal, cientistas realizaram 32 mergulhos técnicos entre 2022 e 2024, combinando levantamentos por sonar de alta resolução com fotografia 3D.
O levantamento identificou 151 espécies diferentes fixadas ao navio. Densas camadas de esponjas, ascídias, mexilhões, ostras e algas cobrem a maior parte da estrutura, enquanto peixes como robalos, bodiões e peixes‑escorpião circulam entre os recifes. Aglomerados de ovos de lula foram encontrados presos ao casco.
A estrutura funciona como berçário natural, oferecendo espaço seguro para o desenvolvimento inicial de peixes costeiros, e como área de descanso, servindo de abrigo temporário para mamíferos marinhos ameaçados.
Durante as expedições, os pesquisadores avistaram uma foca‑monge‑do‑Mediterrâneo descansando no naufrágio, o primeiro registro confirmado da espécie na Baía de Vlora desde 1996. Atualmente, restam entre 444 e 600 indivíduos adultos desse mamífero no mundo, sendo considerada espécie ameaçada devido ao aumento do turismo em praias abertas e cavernas que afastou os animais de seus habitats originais.
Além da foca, imagens revelam cavalos‑marinhos, polvos e outras criaturas das profundezas, demonstrando a riqueza biológica do local.
Entretanto, o recife também atrai espécies invasoras. Os cientistas registraram a presença do peixe‑fogo‑diabo, nativo das águas quentes do Oceano Índico e do Mar Vermelho, cuja expansão para o Mar Adriático tem sido facilitada pelo aquecimento das águas causado pelas mudanças climáticas.
Para conscientizar o público e incentivar a conservação, a equipe desenvolve um modelo 3D do Po, permitindo a exploração virtual da embarcação e a apreciação da natureza subaquática.
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Com informacoes de Banda B.

