Ataques iranianos obrigam navios dos EUA a percorrer até 5,9 mil km para reabastecimento

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 06/09/2026 20:01
Ataques iranianos obrigam navios dos EUA a percorrer até 5,9 mil km para reabastecimento

Foto: via O GLOBO

Os recentes ataques do Irã a instalações navais no Bahrein criaram um impasse logístico para a frota americana no Oriente Médio, forçando os navios de reabastecimento a percorrer trajetos de 2,200 milhas (cerca de 3,5 mil quilômetros) até a ilha de Diego Garcia, no Oceano Índico, ou 3,700 milhas (aproximadamente 5,9 mil quilômetros) até Cingapura, atravessando o movimentado Estreito de Malaca.

Em condições normais, um porta-aviões da Marinha dos Estados Unidos atraca em um porto aproximadamente uma vez por mês, permitindo à tripulação um breve descanso. Cada unidade transporta cerca de 5 mil marinheiros, que trabalham continuamente e necessitam de até quatro refeições diárias, totalizando mais de 420 mil refeições semanais. Embora a propulsão seja nuclear, os aviões e helicópteros lançados a partir desses navios consomem milhões de galões de combustível por semana, demandando reabastecimento constante.

A força presente na região compreende dois porta-aviões, 12 contratorpedeiros equipados com mísseis antiaéreos e de cruzeiro, além de um grupo de prontidão anfíbio formado por três navios de guerra que transportam fuzileiros navais. No total, cerca de 20 embarcações operam no Golfo, reunindo aproximadamente 20 mil marinheiros e fuzileiros.

O ponto crítico surgiu quando, em 28 de fevereiro, o Irã destruiu uma importante base logística americana no Bahrein, coincidindo com o início das hostilidades. Outros portos capazes de receber porta-aviões ou navios de abastecimento também se encontram dentro do alcance de mísseis e drones iranianos, tornando-os inviáveis para reabastecimento.

Com as instalações próximas indisponíveis, os navios de suprimentos precisam viajar longas distâncias para levar alimentos, combustível e outros materiais aos navios de guerra que operam no Golfo de Omã e no Mar da Arábia. A alternativa de Cingapura exige a travessia do Estreito de Malaca, um dos corredores comerciais mais movimentados do mundo.

Devido à extensão das rotas, as missões de reabastecimento passam a ser realizadas a cada cinco ou seis dias, exigindo que as embarcações mantenham uma distância exata de aproximadamente 45 metros durante horas. Marinheiros utilizam fuzis para disparar cabos de aço que conectam o porta-aviões ou contratorpedeiro ao navio de abastecimento, permitindo a transferência de mangueiras de combustível e paletes de mercadorias, enquanto helicópteros transportam suprimentos adicionais entre as duas plataformas.

Parlamentares norte‑americanos têm pressionado o Pentágono após relatos de marinheiros e familiares sobre escassez de alimentos e água, exaustão e crises de saúde mental a bordo dos porta‑aviões. A Marinha reconheceu as dificuldades, mas afirmou que o apoio à tripulação é adequado; o secretário de Defesa, Pete Hegseth, qualificou os relatos como “deturpados”.

Esses desafios logísticos evidenciam a complexidade de manter uma presença naval robusta em meio a um cenário de guerra, onde a distância dos pontos de abastecimento e a vulnerabilidade a ataques inimigos aumentam consideravelmente o risco das operações marítimas.

Com informacoes de O GLOBO.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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