Ausência de Lula e Flávio Bolsonaro transforma debate da Band em palco de ataques

Por Rui Barbosa Oliveira em Rio Verde, GO 24/08/2026 05:28
Ausência de Lula e Flávio Bolsonaro transforma debate da Band em palco de ataques

Foto: via Congresso em Foco

O debate presidencial promovido pela Band, realizado neste domingo (23), contou com a presença de apenas três dos seis convidados previstos: Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). Os líderes das pesquisas de intenção de voto, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), estavam ausentes, o que direcionou a maior parte dos ataques a eles. Romeu Zema (Novo) também não compareceu, mas foi pouco mencionado durante a transmissão.

Antes do início do programa, Renan Santos chegou aos estúdios carregando duas fraldas com os nomes “Lula” e “Flávio” e qualificou os adversários de “medrosos”. Caiado, por sua vez, descreveu os dois ausentes como “fujões” e utilizou um jogo de palavras ao chamá‑los de “Dark Horse” e “dark lobby”. Segundo o candidato, “Dark Horse” referia‑se ao financiamento do empresário Daniel Vorcaro a um filme sobre Jair Bolsonaro, pai de Flávio, enquanto “dark lobby” aludia às investigações que atingem pessoas próximas a Lula e à atuação de uma lobista investigada no caso do INSS.

Renan Santos manteve o tom confrontativo ao circular pelos púlpitos reservados a Lula e Flávio, acusando-os de covardia e de não enfrentar “os crimes que cometeram”. Em suas declarações, o candidato afirmou: “Eles são covardes, que não têm coragem de falar sobre os crimes que cometeram. Lula com Lulinha, o petrolão e o mensalão. Flávio Bolsonaro com seu envolvimento com Daniel Vorcaro e com o escândalo das rachadinhas”. Renan também chamou o presidente de “canalha”, gerando reação de Augusto Cury.

Augusto Cury respondeu que o “nível de agressividade” de Renan o “assombra” e defendeu que divergências políticas não se transformem em ataques aos eleitores, enfatizando a necessidade de manter o debate dentro dos limites do respeito ao eleitorado.

Na pauta de segurança pública, Caiado apresentou propostas que incluíam o uso de inteligência artificial, treinamento policial e maior integração entre as forças de segurança, ao mesmo tempo em que afirmou que “não vou tirar autoridade dos governadores. Pelo contrário, vou aumentar”. O candidato do PSD apoiou a PEC da Segurança Pública aprovada pela Câmara, prometeu a construção de 40 presídios federais e defendeu a classificação de facções criminosas como organizações terroristas, sugerindo a nomeação do promotor Lincoln Gakiya ao Ministério da Segurança Pública. Como exemplos de sua gestão em Goiás, citou a implantação de scanners corporais, monitoramento em presídios, proibição de visitas íntimas para integrantes de facções e gravação de encontros com advogados.

Renan Santos, por outro lado, advogou por maior poder de intervenção da União, propondo o uso do estado de defesa e de operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em áreas dominadas pelo crime organizado, além da construção de “super‑presídios”. Em suas palavras: “Rio de Janeiro, Ceará, Bahia. Ou eles se enquadram no enfrentamento total ao crime organizado, ou seus governos vão se enquadrar ao Governo Federal, ao Estado de Defesa, à GLO”. A diferença entre os candidatos reside no fato de que Renan aceita intervenções federais quando os estados não adotam sua política de combate, enquanto Caiado busca ampliar a atuação da União sem reduzir a autonomia dos governadores.

Durante a discussão sobre violência contra a mulher, Cury brincou ao chamar Caiado de “xerife” e o convidou a comandar a área em um eventual governo seu. Caiado respondeu que declinaria do convite, pois “vou estar na Presidência da República”. O candidato do PSD reforçou a necessidade de endurecimento das penas contra agressores e maior integração dos órgãos públicos no combate à violência contra as mulheres.

Outro ponto de divergência foi a proposta de mudança da escala de trabalho 6x1, que avançou no Senado com apoio do governo Lula. Renan posicionou‑se contra a adoção da escala 5x2, argumentando que a redução da jornada sem consequências para salários, empregos e empresas seria inviável. Em sua fala, afirmou: “O maior inimigo do trabalho falou: ‘você vai trabalhar…’”.

O debate evidenciou estratégias distintas entre os participantes: Renan apostou no confronto direto e nas provocações, enquanto Cury buscou se apresentar como alternativa à radicalização política. Como já destacado em cobertura anterior do portal sobre a campanha de Lula, a figura do presidente continua a ser alvo frequente de críticas intensas, inclusive neste ambiente de debate.

Com informacoes de Congresso em Foco.

Rui Barbosa Oliveira

Sobre o Autor: Rui Barbosa Oliveira

Rui é a cobertura política do MOTNAF.NEWS com o pé firme na imparcialidade. Congresso, STF, Palácio do Planalto, decisões de governo, votações e o que muda de fato na vida do brasileiro. Ele explica os dois lados, traz o contexto e se apoia em fatos, sem opinião e sem tomar partido. E antes de publicar, confere a notícia nos maiores sites de política para não errar. Política séria, sem grito e sem torcida.