Prova da Sedes-DF gera opiniões divergentes e críticas à organização
O concurso promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (Sedes-DF) aconteceu no domingo, 6 de setembro de 2026, e atraiu 210.011 candidatos para 4.788 vagas, das quais 1.197 são destinadas à contratação imediata e 3.591 ao cadastro reserva.
Os cargos ofertados compreendem técnico em assistência social, exigindo ensino médio completo, e especialista em assistência social, que requer formação superior nas áreas previstas no edital, como serviço social, psicologia, pedagogia, terapia ocupacional e direito. A remuneração inicial é de R$ 4.762,97 para os técnicos e R$ 6.693,38 para os especialistas, com jornada de 30 horas semanais e lotação exclusiva em Brasília.
Segundo a professora Júlia Branco, do Estratégia Concursos, a prova foi bem estruturada e não apresentou ambiguidades nem erros de gabarito, porém o controle do tempo foi o principal obstáculo. Ela destacou que a prova discursiva, apresentada como estudo de caso, exigiu domínio de conhecimentos técnicos específicos e a capacidade de sintetizar respostas em até 30 linhas, apesar de o enunciado demandar diversos pontos.
Carla Abreu, coordenadora da área de concursos de Educação do Estratégia Concursos, avaliou que a parte objetiva ficou abaixo da complexidade esperada para um certame desse porte. Para ela, a banca privilegiou questões literais e de memorização, citando trechos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e da Constituição Federal, reduzindo a incidência de situações práticas que exigiriam análise aprofundada. Essa característica, segundo Abreu, pode elevar a nota de corte, pois a proximidade nas pontuações dos candidatos tende a aumentar.
Ambas as especialistas concordam que o diferencial para a aprovação será a prova discursiva. Júlia Branco acrescentou que, caso as notas objetivas fiquem muito próximas entre os candidatos melhor classificados, a etapa discursiva poderá definir quem ocupará as vagas imediatas.
Entre os participantes, a assistente social Ana Luisa Sousa, de 25 anos, considerou a prova justa e elogiou as questões direcionadas à sua área, bem como o tema da redação, que abordou problemáticas atuais do Distrito Federal. Contudo, ela relatou falhas na fiscalização, como a presença de candidatos com celular ligado dentro da sala e a dificuldade dos fiscais em orientar adequadamente sobre as regras.
A avaliação objetiva foi descrita por alguns candidatos como “pouco complexa”, mas a extensão dos enunciados e a quantidade de exigências na prova discursiva aumentaram a pressão contra o relógio. O cansaço ao longo da prova, a necessidade de dividir o tempo entre questões objetivas e a elaboração do estudo de caso, e a falta de clareza nas instruções de fiscalização foram apontados como fatores que dificultaram o desempenho.
Os aprovados terão a oportunidade de atuar em unidades da rede socioassistencial do DF, como os Centros de Referência de Assistência Social, contribuindo para a implementação das políticas de desenvolvimento social no território federal.
Com informacoes de Correio Braziliense.

