Mutirão restaura histórico Cemitério da Brigada Militar em Porto Alegre
A Associação dos Amigos do Museu BM, presidida pelo ex‑Comandante‑Geral da Brigada Militar Jerônimo Braga, organizou, em parceria com o Gabinete do Desembargador Militar Cel. Paulo Roberto Mendes e com o apoio do DLP/Centro de Obras e da DMLU, um mutirão na manhã desta quarta‑feira, dia 28, para a limpeza e restauração do histórico Cemitério da Brigada Militar.
Durante a ação foram realizadas roçadas, retirada de galhos e a pintura das placas comemorativas que se encontram no recinto.
Participaram do trabalho o Coronel RR Marcos Paulo Beck, o Coronel Veriano e o Cel. Caribone; representando o Centro de Obras, o Tenente Oderval e o Sargento Juscelino; e, em nome dos familiares dos sepultados, a senhora Alzira Aguiar, filha do Cel. Militão da Silva Netto e neta do Cel. Marciano Izidoro da Silva, sepultado em 1934.
O Cemitério da Brigada Militar foi oficialmente fundado em 1914, após decreto assinado pelo então presidente do Estado, Borges de Medeiros, em uma área anexa ao Cemitério da Tristeza, na zona sul de Porto Alegre. Na época, a localização refletia o isolamento da região, proporcionando um espaço de recolhimento longe do centro urbano.
No início do século XX a Brigada Militar atuava como um verdadeiro exército estadual, altamente militarizado, e não apenas como força policial tradicional.
O recinto recebeu seus primeiros sepultamentos durante a Guerra do Contestado (1912‑1916), quando soldados foram enviados à fronteira entre Santa Catarina e Paraná. Posteriormente, a Revolução de 1923 – conflito entre “maragatos” (opositores) e “ximangos” (apoiadores de Borges de Medeiros) – também resultou em numerosas baixas que foram enterradas ali. As Revoluções de 1930 e 1932, de âmbito nacional, contaram com forte participação da Brigada Militar e acrescentaram novos nomes ao cemitério.
Em 1928, a corporação inaugurou o Monumento aos Mortos em Cumprimento do Dever, uma estrutura imponente que se tornou o ponto central das cerimônias militares, especialmente nas comemorações do Dia dos Mortos, quando autoridades, comandantes e familiares se reuniam para prestar honras com salvas de tiros e desfiles.
Com o passar das décadas, a Brigada Militar mudou seu perfil operacional e o cemitério perdeu sua centralidade. A última solenidade oficial foi realizada em 2004. Nas décadas subsequentes, foram coordenadas exumações e transferências dos restos mortais para jazigos familiares ou para o novo memorial institucional.
Atualmente, a memória dos militares tombados foi concentrada no Panteão Coronel Apparício Borges, localizado no Departamento de Ensino da Brigada Militar, no bairro Partenon. O antigo Cemitério da Tristeza permanece como ruína histórica, com nove jazigos vazios e o monumento original exposto ao tempo.
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