Moraes declara falência do modelo eleitoral proporcional e propõe adoção gradual do voto distrital misto
Alexandre de Moraes, vice‑presidente do Supremo Tribunal Federal, defendeu nesta segunda‑feira, 24 de agosto, uma ampla reformulação do sistema político brasileiro durante palestra no Tribunal de Contas do Município de São Paulo.
O ministro declarou que o modelo eleitoral atual teria falido, argumentando que o sistema proporcional favorece a eleição de parlamentares com pouca identificação partidária, o que pode enfraquecer o funcionamento do Congresso Nacional.
Moraes rememorou episódios de instabilidade desde a promulgação da Constituição de 1988, citando os processos de impeachment de dois presidentes e os ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, mas ressaltou que a democracia permaneceu forte e que as eleições continuam marcadas.
Segundo ele, a preservação desse cenário depende de instituições mais sólidas e de reformas estruturais, com prioridade para a política, inclusive mudanças no financiamento das legendas partidárias.
O ministro propôs a adoção gradual do sistema distrital misto, iniciando com 30 % das cadeiras eleitas por distrito, avançando para 40 % na etapa seguinte e 60 % posteriormente, defendendo que a medida fortaleceria os partidos e melhoraria a governabilidade.
Ele explicou que o Brasil combina dois modelos: o majoritário, utilizado nas eleições para presidente, governador, prefeito e senador, e o proporcional, que define a distribuição de cadeiras para deputados federais, estaduais, distritais e vereadores, detalhando o funcionamento do sistema distrital e do distrital misto.
Moraes também criticou parlamentares que dão prioridade à exposição nas redes sociais em detrimento da discussão de projetos e da atuação legislativa.
Durante a mesma palestra, o ministro fez críticas às grandes empresas de tecnologia, afirmando que foi ingênuo considerar essas plataformas neutras, pois elas possuem interesses econômicos e políticos e utilizam algoritmos capazes de influenciar o comportamento dos usuários, sobretudo em períodos eleitorais.
Ele destacou que os algoritmos identificam características e frustrações de grupos sociais, direcionando conteúdos e transformando a disputa política em um mercado onde eleitores são tratados como consumidores e candidatos como produtos.
Moraes concluiu que as mesmas estratégias foram usadas para ampliar o alcance de discursos específicos, explorando recalques de determinadas pessoas.
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Com informacoes de Estadão.

